Eu me escondi no saguão do hotel como um ladrão se esconde da polícia.
Quando a dona do hotel, suas filhas e os empregados vieram ansiosamente tirar fotos com Harry, eu tive que me afastar no mesmo instante para que ficasse impossível de cogitarem a ideia de Harry e eu sermos conhecidos, e se eles, em algum momento, me viram com Harry, ignoraram totalmente minha presença e eu fico totalmente aliviada, porque isso significa que não haverá nenhuma foto nossa em sites e revistas, minha faculdade estará intacta e eu continuarei mantendo o anonimato.
Observo de longe a paciência e o sorriso singelo de Harry ao atender cada um deles, como se não estivesse exausto. Alguns hóspedes se juntam aos outros para tirar fotos e gravá-lo de perto. Harry sorri com os olhos cintilando em todas as fotos e não consigo parar de observá-lo. Mesmo exausto de um dia cansativo e de um show longo, Harry não nega um momento com seus fãs e isso me deixa tão fascinada.
Espero pacientemente Harry em frente ao elevador, enquanto respondo algumas mensagens que recebi ao longo do dia conturbado e não tive tempo para responder. Hannah me enviou mil mensagens com conteúdo altamente sexuais sobre Harry e eu e eu ignorei todos eles, como sempre faço.
“Desculpe a demora” Harry fala, segurando firmemente as chaves do quarto nas mãos e apertando o botão para chamar o elevador ao meu lado.
“Se divertiu muito com o ensaio fotográfico de hoje?” zombo e ele sorri, passando sua mão nos cabelos.
“Sempre são divertidos, independente da quantidade” afirma e escora na parede ao lado do elevador, enquanto espera pacientemente ele chegar.
“Você é algum tipo de protótipo de robô?” questiono, erguendo as sobrancelhas curiosamente “Você saiu de uma entrevista, entrou em uma viagem, fez um show longo e cansativo, tirou milhares de fotos, passou a noite bebendo e tirou mais fotos e, honestamente, você não parece nenhum pouco cansado. Como se estivesse pronto para outra dessas ainda hoje.”
“Uau, perdida!” exclama surpreso “Você não quer trabalhar como minha secretária particular, huh?” sorri abertamente “O emprego será muito bem remunerado.”
O barulho das portas do elevador se abrindo se faz presente quando ele chega ao térreo e nós dois entramos juntos e silenciosamente. Harry aperta o botão do quarto andar e afasta alguns passos para trás. O elevador não é muito grande, então não temos muito espaço livre.
“Você parece incansável” justifico minha afirmação “Eu estudo muito, faço estágio e vou à universidade todos os dias e no fim do dia, estou exausta e isso não parece metade do que você realmente faz.”
“Eu gosto da minha profissão” afirma "Admito que estou um pouco cansado, mas eu me acostumei com essa rotina conturbada. Não é uma coisa que me atrapalha constantemente” Harry mantém as mãos no bolso da sua calça e escora suas costas nas paredes de metal do elevador, enquanto responde, um pouco pensativo “No começo era tudo meio insano e cansativo, mas eu era e ainda sou loucamente apaixonado por tudo isso. Acho que o fato de eu gostar do que eu faço, faz com que seja menos cansativo.”
Começo a observá-lo sem nenhum escrúpulo e me atento nos mínimos detalhes. Cada vez que nos conhecemos melhor, eu me sinto mais próxima a ele. Harry é um cara diferente do que eu realmente imaginava.
“Eu também amo minha profissão, mas eu acho o processo para chegar até ela longo e cansativo” seguro o apoio de mão firmemente “Não me veria em outro lugar.”
Quando chegamos ao andar do quarto em que Harry está hospedado, as portas do elevador se abrem, começamos a caminhar pelos corredores até o quarto 45. As luzes se acendem no mesmo instante em que Harry aperta o interruptor e o quarto inteiro se ilumina e a primeira coisa que observo é a cama box enorme e convidativa de casal.
O quarto é simples e pequeno, mal cabe uma pessoa. A janela estreita não me permite ver muita coisa além do beco imundo e mal iluminado e os lençóis brancos e com detalhes marrons estão depositados em cima da cama organizadamente. O cheiro forte de produto de limpeza satura todo o ar, como se tivessem acabado de limpá-lo. Passo a mão deliberadamente pelos lençóis, sentindo a maciez nas pontas dos meus dedos.
“Apreciando a arquitetura?” pergunta Harry atrás de mim “Ou só está pensando no projeto do seu próximo trabalho?”
“Estava pensando na infinidade de trabalhos e provas para a próxima semana” respondo e me jogo em sua cama “Será que é possível eternizar esse final de semana?” questiono e o olho com os cantos dos olhos, quase como se suplicasse para eternizá-lo ou para, no mínimo, receber um sim, mesmo estando ciente de que a resposta é não.
“Olha, eu vou ser sincero com você” Harry diz seriamente e senta na cama. Ele ergue seus pés, colocando-os em cima da cama e escora as costas na cabeceira, enquanto eu o escuto atentamente “Não há como eternizar um momento sem algumas doses de uísque” afirma, segurando um sorriso quando acaba de falar.
“Estou falando sério” reviro os olhos e ele sorri marotamente.
“Você não vai saber se não beber” coloca os braços atrás da cabeça “E então, Cecília, quer eternizar esse momento comigo?” arqueia as sobrancelhas e tira um litro de uísque da sua bolsa “Antes que você negue, porque não tenho dúvidas de que vai, é o melhor uísque que existe” quando Harry arqueia as sobrancelhas e me olha como um cachorro sem dono, eu não consigo negar.
“Você sabe que a marca da bebida não me faz gostar mais dela, não é?” arqueio as sobrancelhas sugestivamente “No entanto, hoje eu vou me permitir beber apenas uma dose” dou-me por vencida e ele sorri em comemoração.
Harry abre o uísque e toma longos goles no gargalo do litro como se estivesse bebendo água. Eu me questiono internamente como ele consegue. Algumas gotas da bebida escorre na lateral da sua boca e quando para de beber, ele limpa com o dorso da mão.
“Agora é a sua vez” me entrega o litro e eu suspiro alto, encarando a bebida e ao mesmo tempo tentando criar coragem.
“Não espere que eu vá tão longe” falo e levo o litro à boca. Dou um grande gole e sinto a bebida descer queimando a minha garganta. Começo a tossir no mesmo instante. Merda.
Já bebi algumas doses de uísque antes, mas nunca bebi pelo gargalo como Harry o faz. Não é a minha bebida favorita, na verdade. Às vezes eu gosto de um Sex On The Beach ou uma cerveja artesanal, mas não costumo beber com frequência. Quem sabe depois que eu me formar, eu consiga viver tudo mais intensamente. Sinto que estou vivendo em uma rotina monótona e chata.
Harry me olha sorrindo, enquanto pega o litro das minhas mãos e volta a bebê-lo como se fosse a última bebida do mundo a ser consumida.
Algumas horas depois, me pego gargalhando com Harry. O litro de uísque está vazio e Harry quase mantém seus olhos quase fechados. Ele bebeu o litro todo praticamente sozinho e agora sua fala está arrastada e ele não consegue falar sem embolar a língua. Levo um susto ao olhar para o relógio pendurado na parede à frente. Já passam das cinco da manhã.
“Eu acho melhor ir para casa” afirmo, começando a me levantar da cama apressadamente.
“Espera” Harry segura meu pulso no mesmo instante e eu fico petrificada. O contato da sua mão calejada faz o local formigar e me sobe arrepios “Eu te deixo em casa” afirma, soltando meu braço, mas quando ele se levanta para pegar as chaves, Harry cambaleia para o lado e quase cai no chão.
"Harry" chamo-o, levantando-me da cama "Você não vai dirigir nesse estado" seguro um dos seus braços, tentando levá-lo de volta para a cama, mas o elevado estado de embriaguez em que ele se encontra agora não pede nada além de um banho.
“Em qual estado?” questiona, arqueando as sobrancelhas.
“Você não me parece muito sóbrio” respondo-o “Eu peço a Paul para me deixar em casa. Não se preocupe.”
Harry tenta se equilibrar segurando algum móvel, mas ele não parece nada bem.
“Você precisa de ajuda?”
“Não. Eu estou bem” Harry começa a tirar seu paletó desajeitadamente, mas ele está tão bêbado que não consegue continuar.
Reviro os olhos e coloco seu braço em volta do meu pescoço para ter certeza de que ele não vai cair ou fugir. Talvez ambos. Levo-o, com muita dificuldade, até o banheiro. Ele não para de resmungar o caminho inteiro o quão responsável é e que não precisa de ajuda, mas ignoro tudo o que ele diz.
Ajudo-o a tirar as roupas, deixando-o apenas de cueca, enquanto tento não olhar para sua parte de baixo e ignoro veemente a protuberância. Minhas bochechas ficam vermelhas e eu encaro o piso da parede do banheiro.
Então Harry tira a cueca à minha frente, ficando completamenete nú sem nenhum escrúpulo e eu me engasgo com minha própria saliva. A vergonha me atinge brutalmente e, meu Deus, eu não tenho palavras para descrever o tamanho. Harry resmunga quando eu o viro e empurro para debaixo do chuveiro. Abro o chuveiro e a água quente jorra, molhando seus cabelos e seu corpo. Escorrego meu olhar despropositadamente pelo seu corpo e sinto meu rosto inteiro queimar mais uma vez.
"Gosta da imagem que vê?" pergunta sorrindo maliciosamente ao me pegar no flagra "Sei fazer um bom uso, se é isso que quer saber."
"Se você não calar a boca, eu vou sair e deixar você aqui sozinho" ameaço e ele para de falar no mesmo instante.
O banho é rápido e demora menos de dez minutos. Em pouco tempo, Harry está deitado e puxa o cobertor para se cobrir.
“Tchau, Harry” me despeço, abrindo a porta do quarto e seus olhos se abrem no mesmo instante.
“Por que diabos você tem que ser tão você, Cecília?” Harry pergunta, ainda deitado.
“O que você quer dizer com isso?” arqueio as sobrancelhas de forma confusa.
“Você é sensacional!” exclama e se embola nas suas próprias palavras “E eu estou cada vez mais fascinado.”
Então, como se ele não tivesse falado nada demais, Harry vira de costas para mim e começa a dormir.


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