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Capitulo 1 - Prostituta

em 21/08/2016 | Nenhum comentário:


Escutei o barulho da porta sendo fechada brutalmente, fazendo-me levar um susto enorme. O cabelo loiro segurado por um topete ridículo de Peter invadiu minha visão, fazendo-me ficar nervosa. Seus olhos eram azuis e sempre estavam vermelhos pelas drogas que consumia dia após dia. Em suas mãos havia um cigarro e, em seus lábios, carregava um sorriso seco e sem vida.
Há quase dois anos, eu e Peter estávamos em um relacionamento sério. Eu o amava mais que amava a mim. Ele me completava e me protegia. Eu me sentia segura com ele, mas, ultimamente, isso vinha mudando muito. Ele me deixava com um medo indescritível e vivia me trocando por uma noite com drogas e com seus amigos. Sentia saudades de quando ele me amava mais do que as porcarias que usava diariamente. Ele sentia necessidade mais delas que de mim.
— Peter, precisamos conversar! — disse, por fim, criando uma coragem repentina. Seu rosto mudou de um sorriso sádico e malicioso para preocupado, e eu engoli em seco. A fumaça do cigarro de maconha em suas mãos me incomodava bastante, e eu tive vontade de pedir para ele parar de fumar em minha frente.
Eu tinha medo de me abrir para Peter e ele começar com suas crises malucas, depois começar a me bater, descontando toda sua frustração. Depois que ele passou a ter mais necessidades das drogas do que de mim, ele se tornou um louco agressivo a ponto de me espancar. Eu tinha medo do que ele poderia fazer agora como nunca tive.
— Eu... Eu estou grávida — despejei, e ele me olhou incrédulo. Soltou uma gargalhada irônica e, percebendo que ninguém ria, parou. Sua feição passou de maliciosa para furiosa, como nunca esteve, e suas mãos estavam fechadas em punhos, prontas para me acertar.
— Você só pode estar brincando! — Estressou-se e apontou o dedo imundo em meu rosto. — Isso é tudo culpa sua, sua vadia! — Passou as mãos no cabelo e começou a andar de um lado para o outro, nervosamente, na pequena sala. As lágrimas jorravam pelo meu rosto e eu tinha vontade de fugir do inferno que minha vida se tornou. — Você vai abortar isso, ou eu... Eu juro que...
Meus olhos se arregalaram e eu peguei em minha barriga, com medo do que ele fosse capaz de fazer.
Eu não era capaz de abortar a vida que trazia comigo. Era desumano e uma coisa completamente irracional. E digamos que eu era humana demais para deixar isso acontecer. Encolhi-me no sofá e o olhei desesperada, com medo do que ele fosse capaz de fazer.
— Você não vai fazer coisa nenhuma. — Minha tia apareceu da cozinha, totalmente irritada com as palavras de Peter. Seu semblante transparecia estar tão raivoso quanto o de Peter. — Você, seu infeliz, vai dar o fora da minha casa e pensar em todas as suas miseráveis palavras!
— Eu vou para casa, mas aviso, de antemão, que não voltarei aqui nunca mais. — Andou até a porta de casa e a bateu fortemente. O estrondo alto me fez tremer de medo e de angustia. Apertei meus olhos fortemente, desejando que a dor em meu peito ficasse menos intensa que a que eu sentia neste momento.
— Vai ficar tudo bem, Ceci! — Tentou me acalmar. — Estamos juntas nessa.
Tentei acreditar em suas palavras, tentei acreditar que tudo iria ficar bem e que eu seguiria normalmente minha vida, mesmo com toda essa tempestade de acontecimentos. Eu desejava a minha felicidade e, desde que meu bebê estivesse salvo, eu ficaria feliz. Restava-me apenas ter esperanças de que o amanhã me guardava apenas coisas boas.
Desde criança, eu assistia meu pai chegar bêbado em casa e descontar suas frustrações em minha mãe. Eu a considerava com uma guerreira, porque, mesmo sofrendo de dores psicológicas e físicas, ela carregava um sorriso no rosto. Implorei para que ela voltasse e me ajudasse a suportar o peso que o mundo deixou em minhas costas, mas, cada vez que eu implorava, a realidade vinha à tona da pior forma possível.

[...]

Oi, meninas! Tudo bem?
Espero imensamente que tenham gostado do capítulo e não se esqueçam de comentar. 
Beijinhos!

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Prólogo - Prostituta

em 02/08/2016 | Nenhum comentário:


Meus pés tinham enormes calos pelas horas que passei, correndo pelas ruas de Boston, sem saber que rumo seguir. Minha pele encontrava-se completamente gélida pelo tempo congelante, que fazia naquela madrugada, e pelas poucas roupas em meu corpo. Podia ver a fumaça saindo de meus lábios entreabertos, enquanto suspirava. Sentia cada célula do meu corpo sendo congelada aos poucos.
Segurava a mão pequena e fria da minha irmã ao meu lado. Seus dentes se debatiam, causando um barulho quase insuportável. Sua mão solta abraçava-se, numa tentativa inútil de se aquecer. Suas pernas estavam bambas, quase não suportando a dor e o cansaço.
Apertei a mochila em minhas costas com uma mão, e a outra, a mão da minha irmã. Eu estava com muito medo de dar tudo errado, mas, se eu continuasse ali, tudo pioraria. As lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto e a angustia corroía-me por dentro. Tentei gritar inúmeras vezes, para que alguém me ouvisse e soubesse que eu precisava de ajuda, entretanto, minha garganta havia ficado seca e eu sabia apenas correr como uma covarde sem rumo algum.
Fugir era tudo o que eu conseguia pensar. Fugir e correr, até que pudéssemos ter uma noite de descanso. Fugir para bem longe daquele cretino, que tinha tirando toda a minha infância, e do inferno que acontecia no momento. Eu desejava apenas muita força para que pudesse continuar em pé naquela longa jornada. Cuidar da minha irmã era algo que eu teria que fazer a partir de então; era, acima de tudo, um alto cargo de responsabilidade que eu teria que carregar a partir de hoje.
Deixar tudo para trás era o que mais me doía. Ter deixado Harry e nem sequer ter me despedido eram umas das piores dores do mundo. Queria que Harry estivesse comigo neste momento, dizendo que tudo iria ficar bem, que isso tudo era apenas uma fase e que não existia inferno pior que o que vivíamos. Eu teria que me acostumar sem Harry comigo. Era difícil, mas eu teria que seguir sem ele. Era a melhor opção que tinha, porque eu não voltaria aquela casa nunca mais.
O barulho das minhas botas chocando no chão asfaltado era o único som audível naquela rua vazia. Tentei correr mais rápido, para ver se apagava as imagens que passavam repetidamente em minha mente, das mãos sujas do meu pai correndo pelo meu corpo, mas nada parecia ser o suficiente para tirá-las de lá. As palavras tão sujas e porcas quanto suas mãos ecoavam em minha cabeça, me causando náuseas e fazendo com que minha cabeça girasse sem parar. Era como estar em um cubículo sem portas e sem oxigênio. Sufocava-me cada vez mais.
— (Seunome), eu preciso descansar — pediu Anna, completamente ofegante pela longa corrida. Seu corpo estava gelado e suas penas fraquejaram, demonstrando imenso cansaço.
— Não podemos, Anna! — falei. — A qualquer hora, ele pode acordar, e ainda estamos no meio do caminho.
— Eu não aguento mais — despejou, caindo no chão, e eu a peguei no colo. Seu corpo estava tremendo, assim como o meu. Voltei a correr rápido com Anna em meus braços. Ela parecia estar fraca, e eu queria muito ajudá-la.
Depois de várias horas vagando pelas ruas, à procura de um lugar para que eu e Anna pudéssemos descansar, encontrei uma casa abandonada com portas e janelas quebradas. Empurrei o matagal, que havia se formado em frente à minúscula e assustadora casa. Abri a porta, fazendo com que um barulho alto incomodasse os meus ouvidos. O cheiro horrível de mofo entrou em minhas narinas, fazendo com que eu espirrasse. Sentei-me no chão e coloquei Anna em meu colo.
— Anna — chamei, e ela resmungou, com seu corpo implorando por descanso. Abracei-a e coloquei uma roupa qualquer para cobri-la. Não consegui fechar meus olhos por um segundo sequer naquela noite longa e turbulenta. As imagens me faziam ficar completamente acordada, com uma vontade imensa de voltar para casa e terminar de socar todo aquele resto de lixo.
Seguir em frente era tudo o que eu queria fazer, desde então. Não tinha casa, nem comida, apenas algumas roupas que havia trazido comigo, enquanto meu pai estava caído no chão de casa. Esperando ainda me lembrar do caminho à casa da minha tia Carmem, encostei minha cabeça na parede mofada, numa tentativa inútil de clarear meus pensamentos.

[...]

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