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Capítulo 11 | Famous

em 24/03/2021 | Nenhum comentário:


Harry está vinte minutos atrasado do horário que combinamos para sair.
Durante os vinte minutos agonizantes, eu mandei várias mensagens, mas não obtive resposta em nenhuma delas. Honestamente, não consigo evitar de pensar nas piores coisas que poderiam suceder. Se ele não vier, eu não faço ideia do que irei fazer e isso me deixa muito nervosa.
De acordo com o relógio, faltam poucas horas para o início do evento e teríamos que chegar antes de todos os convidados e patrocinadores, no entanto, se ele demorar mais alguns minutos, ficará impossível de fazê-lo.
Meus olhos estão quase transbordando em lágrimas e em desespero ao notar que mais dez minutos se passaram, ou seja, meia hora de atraso. Minhas pernas estão inquietas e eu não consigo frear os pensamentos ruins, enquanto caminho de um lado para o outro na calçada.
O fato de que eu acabei de sair de um dia cansativo de faculdade e estágio faz com que minha aparência e humor hoje não sejam os melhores. Meu cabelo certamente está desgrenhado e não adiantou muita coisa desembaraçá-los com os dedos. Tudo o que eu quero é chegar em casa e tomar um banho quente e relaxante e, se sobrar tempo, me jogar na cama e dormir alguns minutos.
Todo o meu rosto se ilumina e meu corpo inteiro fica mais leve quando vejo um dos seus carros entrando na esquina do meu apartamento. O vidro fumê não me permite vê-lo, mas considerando o carro opulento, não me resta dúvidas de que seja ele.
Harry sai do banco de passageiro com os cabelos levemente úmidos e bagunçados. Seu perfume viril me invade veemente quando ele se aproxima com as mãos nos bolsos frontais do seu sobretudo, em um pose impecável, como se fosse o último homem na terra. Seu segurança vem logo atrás em linha reta, com o semblante fechado e as mãos retas ao lado do corpo.
Harry é alto, mas seu segurança parece ter o dobro da sua altura e eu me sinto como uma formiga perto dos dois. Olho-o da forma mais irritada que consigo, mas o sorriso estampado em seu rosto mostra que ele não está nenhum pouco preocupado com isso e que meu humor péssimo não o afeta negativamente.
Harry atrai alguns olhares femininos ao nosso redor. Embora ele tenha óculos de sol em seu rosto como um disfarce, sei que não está irreconhecível. Qualquer pessoa o reconheceria, como todos os outros disfarces péssimos que ele colocou.
“Finalmente!” exclamo, sem dar chances a ele de falar “Mais alguns minutos e eu teria ido embora sem você.”
“Boa tarde pra você também, perdida!” exclama animado e sua boca se curva em um sorriso, que me faz esquecer o porquê de estar brava com ele “Houve um contratempo e acabei de sair da entrevista. Desculpe a demora.”
“Precisamos ir agora” respondo-o e caminho em passos apressados até seu carro estacionado do outro lado da rua.
Eu sei que Harry não é um cara com tempo de sobra e seu trabalho ocupa quase todo o tempo que ele tem. Só o fato dele estar cedendo seu tempo para me ajudar, me faz ficar eternamente grata a ele.
O segurança de Harry abre o porta-malas e coloca minha mochila surrada ao lado da mala grande de Harry e do seu violão. Entro no carro rapidamente e coloco o cinto de segurança no mesmo instante. Harry entra alguns minutos depois e se acomoda preguiçosamente ao meu lado.
“Minha mãe te hospedou em um hotel” falo, enquanto Harry pega o apoio de pescoço e o coloca “Não é um dos hotéis cinco estrelas em que você costuma ficar, mas ela disse que é confortável e que você deve gostar” Harry assente com a cabeça.
“Parece ótimo para mim” afirma, como se não se importasse com a quantidade de estrelas que o hotel tem e isso me deixa um pouco mais aliviada.
Estou tão nervosa e sem jeito ao seu lado. Parece que é a primeira vez que eu o vejo e, não sei como é possível, mas tenho uma leve sensação de que ele fica cada vez mais bonito e intocável a cada vez em que nos reencontramos.
Harry começa a dormir nos primeiros minutos da viagem e eu tomo a liberdade de admirá-lo minuciosamente. Seus lábios estão entreabertos e sua cabeça jogada para trás. Seu maxilar marcado está ainda mais evidenciado com a posição em que ele se encontra agora.
Tenho que parar de encará-lo agora mesmo, ou então serei pega no flagra e isso está fora de cogitação.
No momento em que solto um suspiro alto, o carro para bruscamente e o barulho do pneu arrastando contra a pista ressoa de uma forma péssima em meus ouvidos, fazendo-me dar um sobressalto e soltar um grito estridente. Harry acorda e arregala os olhos em um susto e tende seu corpo um pouco mais para frente, alheio ao que estava acontecendo à sua volta.
Quando o segurança e o motorista saem do carro, meu peito se alivia do aperto quando eu constato que não foi um acidente e que estamos todos bem. Tiro o cinto de segurança e saio do carro no mesmo instante e vejo que o pneu da frente furou.
“Eu vou chamar o reboque” o motorista fala para o segurança.
Meu coração ainda bate descompassadamente e eu tento controlar minha respiração. De forma alguma vamos esperar que o reboque chegue. Se nada for feito, eu irei trocá-lo. Perdemos muito tempo e isso não temos de sobra. Harry aparece atrás de mim, ainda sonolento e confuso e cruza os braços abaixo do peito.
“O quê?” pergunto, entrando no meio da conversa “Você não sabe trocar a droga de um pneu?” questiono irritadamente.
“Senhorita, o racional seria…” ele começa a falar, mas eu o interrompo.
“Olha, eu não tenho tempo para ser racional” falo, mantendo o tom baixo da minha voz “Por favor, traga-me as ferramentas e o pneu reserva” ordeno a todos eles.
Meu avô me ensinou a trocar pneus de carros quando comecei a estudar em Londres. Ele disse que eu iria precisar, porque estou sempre voltando para casa. Ele não estava errado, desde que ele me ensinou, eu os troquei duas vezes.
“Senhor” o motorista diz “Você tem certeza? Simon nos instruiu a...”
“O reboque irá demorar muito, Paul” Harry interrompe Paul “Atrasará todo o evento e não temos muito tempo de sobra.”
O motorista de Harry assente e caminha até o porta malas do carro, tirando o pneu e as ferramentas, colocando-as no chão, ao lado do pneu.
“Não precisa se preocupar, Ceci. Paul e meu segurança cuidarão disso” afirma e eu me sinto mais aliviada.
“Obrigada, Harry. Sem você, esse evento seria totalmente um desastre” Harry me olha e seus lábios se curvam em um pequeno sorriso “Sei que você é muito ocupado a maior parte do tempo, mas você não tem ideia como isso fará diferença para o evento.”
“Disponha” fala “Eu fico feliz que posso ajudar vocês. Geralmente, ajudo vários hospitais, orfanatos e faço incontáveis doações, mas a mídia não está preocupada em mostrar isso. Ela geralmente só se preocupa com minhas falhas e espera o momento certo para, de alguma forma, me prejudicar e manchar minha imagem” a melancolia em sua fala me impulsiona a abraçá-lo.
Eu nunca passei pela situação que ele está passando agora e não tenho ideia de como ele se sente, mas pela tristeza estampada em seu rosto e tom de voz mexem emocionalmente comigo.
No dia a dia, todos nós encaramos situações parecidas; pessoas esperando falhas nossas para nos prejudicar, mas não tenho certeza se isso se compara com sua falha ser exposta para todo o mundo ver. Harry tem inúmeras qualidades e eu não precisei conviver com ele por muito tempo para constatar o fato, mas, de todas as notícias, nenhuma delas deixou isso explícito.
Em poucos minutos, Paul e o segurança trocam o pneu do carro e logo estamos de volta à estrada. Harry não volta a dormir dessa vez e conversamos o caminho inteiro. A conversa flui tão naturalmente que me pego surpresa quando Paul estaciona o carro em frente à minha casa.
Devido a quantidade de carros, tenho a certeza de que todos os meus tios também já chegaram.
O portão se abre no instante em que piso na calçada e minha mãe aparece sorridente. Minha família aparece logo atrás e ao julgar pelas expressões, todos eles estão curiosos para ver Harry Styles pessoalmente.
“Vocês demoraram!” minha mãe exclama, caminhando até nós “Estava preocupada.”
“O pneu furou no caminho” afirmo e me espreguiço.
Minha família cumprimenta Harry animadamente, como se ele fosse um deus na terra. Todos eles estão cientes da fama de Harry e ninguém imaginava que era real, até ele chegar. Não os culpo, porque até eu demorei a acreditar que ele aceitou vir.
Meu avô convida Harry a entrar e começa a conversar com ele até a porta da minha casa. Não deixo de notar Harry observando os detalhes minuciosamente da minha casa. Os anões bizarros de jardim geralmente chamam muita atenção. Clarisse e Clara estão na porta de casa observando a movimentação e estão tão surpresas quanto o resto da família.
Harry senta no sofá e meus tios sentam ao seu lado, iniciando uma conversa sobre sua carreira e tudo o que remete a ela.
“Então você é o famoso Harry Styles?” meu pai fala, inspecionando-o minuciosamente com os braços cruzados, em uma pose de segurança.
“Sim… Eu” Harry engole em seco e meu pai o interrompe, abrindo um sorriso cordial.
“Você aceita uma cerveja?” pergunta “O freezer está lotado e temos que esvaziá-lo ainda hoje.”
“Pai!” exclamo e Harry abre um sorriso aliviado. Minhas bochechas queimam em vergonha e eu não sei o que dizer.
“Parece ótimo para mim” responde.
Meu pai estende a mão, entregando a cerveja para Harry e ele aceita. Então meu pai liga a televisão em um jogo aleatório e começa a conversar com Harry como se fossem amigos de longa data.
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Capítulo 10 | Famous

em 21/03/2021 | Nenhum comentário:


 Eu desconheço a palavra dormir e literalmente esqueci como se faz.

A faculdade está me consumindo mental e fisicamente todos os dias desde o começo do último semestre. Comecei a estudar às dez da manhã, logo após o café, para as três provas de amanhã e agora já são pouco mais das nove da noite. Eu sei que parece insano e que são muitas horas de estudo, mas estou tão perto. Estou quase sentindo o diploma em minhas mãos e há tanto tempo eu sonho com isso. Meu esforço vai valer a pena. Eu sei que vai.

Parei alguns minutos para comer e descansar, mas somando todas as pausas, não deram muito mais do que duas horas. Horas de pesquisa, leitura e simulados vão servir de muita coisa amanhã e eu não consigo evitar de ficar um pouco nervosa ao me permitir pensar um pouco sobre os próximos dias que seguirão.

O toque do meu celular começa a soar ao meu lado, dispersando-me das minhas divagações. Fico muito feliz ao ver que é a minha mãe que está me ligando. Há duas semanas não conversamos muito bem, porque ela está correndo contra o tempo para deixar tudo organizado para o grande evento deste mês e eu a faculdade.

Boa noite, mãe!” exclamo saudosamente ao atender a chamada.

Você ainda tem uma família?” minha mãe pergunta. Ao escutar sua voz através do celular, mesmo sabendo que virá uma bronca a seguir, a saudade triplica, como tivessem anos que eu não a vejo “Porque, pela frequência ou a falta dela de vezes que você nos liga, eu acredito que não.

Por favor, mãe, não comece com um sermão essa hora da noite. Eu estou exausta” resmungo “Eu prometo ligar mais vezes, mas está impossível de fazer isso esses últimos dias.

Como estão as coisas em Londres?” pergunta “Já arrumou as malas para passar o final de semana conosco?

Estão uma loucura!” exclamo “Não tenho tempo de sobra e estou ficando maluca. Considerando o tempo escasso, devo arrumá-las de última hora” suspiro melancolicamente “E como estão as coisas em casa?

Estão bem, mas não trago boas notícias essa noite” fala e só então eu percebo o tom melancólico da sua voz carregada.

O que aconteceu?” pergunto preocupada e volto a me sentar em um sobressalto. Milhares de pensamentos ruins me invadem como uma nuvem negra e eu engulo o ácido amargo que sobe a minha garganta.

Henry desmarcou a presença no evento do final de semana e até agora não encontramos ninguém para substituí-lo."

Meu humor despenca. Henry desmarcar o evento de última hora gerava uma complicação enorme para o evento. Primeiro porque Henry é um cantor bastante conhecido na Europa e ele tem ótimas músicas, fãs e um grande público e segundo que achar um cantor de última hora é quase impossível, muito menos para suprir as expectativas do pessoal. De todos os eventos, esse seria o mais importante, porque Clarisse e minha mãe simplesmente conseguiram a presença exclusiva de Henry.

Vocês já chamaram o Ethan? Não tenho dúvidas de que ele cederia seu tempo para…

Sim. Clara o procurou ontem. Ethan tem show marcado em um pub em Londres” resmunga “O que é uma pena, porque as crianças estavam tão animadas para encontrá-lo novamente.

Infelizmente, de longe eu não posso fazer muita coisa, mas eu vou tentar procurar algum artista local antes de dormir.

Obrigada, Ceci” agradece e seu tom de voz parece mais aliviado “Clara e Clarisse não estão indo muito bem na procura.

Boa sorte!” desejo “Tenho que ir agora.

Tenha uma boa noite, querida!” exclama e desliga a chamada.

Antes de me deitar, envio mensagens para Janet e Olívia, cantoras maravilhosas que moram em cidades vizinhas e já se apresentaram em nossos eventos outras vezes. Infelizmente, ambas negaram meu pedido. Janet alega que tem um compromisso inadiável e Olívia irá participar de um programa no mesmo dia. Eu agradeço a elas, mas não consigo não ficar chateada com a situação.

Sinceramente, eu estou esgotada. O evento não é uma coisa da qual eu costumo me envolver tanto por estar longe, mas eu sempre ajudo à distância. Apesar da minha mãe não ser a única pessoa que ajuda no evento, o encargo maior fica todo em suas costas.

Ao deitar minha cabeça no travesseiro para dormir, uma ideia absurda aparece em um lampejo, mas ao mesmo tempo parece impossível de ser cogitada. Ele possivelmente não aceitaria. Harry é um homem muito ocupado e eu tenho medo de incomodá-lo. No entanto, penso que não custa nada tentar. É meu último fio de esperança. Honestamente, ainda não sei como está aceso.


Boa noite, Harry!

Você pode me ceder alguns minutos para uma ligação?


Seguro meu lábio inferior entre os dentes, aguardando sua resposta. Sei que não é hora de enviar mensagens e ele provavelmente já deve estar dormindo devido ao horário extemporâneo. Agora, pensando melhor, se tivesse algum botão para cancelar o envio da mensagem, eu o apertaria. Talvez Harry tenha algum amigo que possa se apresentar no lugar de Henry e eu posso usar isso como desculpa.


. Como se você precisasse pedir para me ligar.


No instante seguinte, Harry está me ligando. Demoro alguns segundos para poder deslizar o botão de atender, porque estou criando coragem e pensando no que irei falar e como irei.


Oi!” tento saudá-lo normalmente, mas meu estômago está dando voltas incalculáveis e eu não sei por onde começar.

Boa noite, perdida!” exclama e ele parece animado “Estou pronto para escutar o que você tem pra me dizer.

Huh… Bem… Você está ocupado esse final de semana?” pergunto.

Já está sentindo minha falta?” pergunta e eu escuto o som da sua risada abafada através da chamada.

Eu vou ser breve. Não quero tomar seu tempo” seguro firmemente a barra da blusa do meu pijama "Sábado terá um evento beneficente, que consiste em ajudar famílias carentes com cestas básicas e a doar roupas e mantimentos para orfanatos. Minha família e alguns amigos da rua estavam preparando um evento para esse final de semana e tinha Henry como atração principal” suspiro, antes de continuar “Mas Henry desmarcou em cima da hora e teremos patrocinadores muito importantes nesse dia e sem contar as crianças…

Então você quer que eu vá cantar?” ele pergunta sugestivamente, demonstrando total interesse.

Oh, bem… Se você puder e não for um incômodo” levanto-me da cama, sentindo meu nervosismo atingir o ápice.

Tudo bem” concorda “Eu vou conversar com meus parceiros de banda primeiro e assim que puder, te respondo com mais clareza.

Muito obrigada, Harry! Eu estava à beira do desespero" falo, sentindo-me mais aliviada ao escutá-lo.

Disponha” responde “Deixe-me adivinhar. Estava estudando até tarde?” sugere e eu o imagino arqueando as sobrancelhas.

Você não imagina o quanto eu estou exausta” desligo a luz do quarto e volto a me deitar.

Então descansa um pouco e amanhã a gente conversa melhor.

Tchau, Harry. Obrigada mais uma vez.”
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Capítulo 09 | Famous

em 17/03/2021 | Nenhum comentário:


Hannah simplesmente ficou com as chaves do apartamento em sua bolsa.

Merda. Merda. Merda. Resmungo mentalmente, procurando desesperadamente as chaves do apartamento na minha bolsa, mesmo estando veemente ciente do fato de que ela não está lá e que, mesmo que eu esteja suplicando, ela não irá aparecer mágicamente. Estou dentro do carro de Harry e em frente ao meu apartamento, suspirando alto e, ao mesmo tempo, tentando agir normalmente para que Harry não perceba o meu desespero com a possibilidade de dormir no corredor de casa.

“Está tudo bem?” Harry pergunta ao perceber minha feição de preocupada e desesperada.

“Dormir fora de casa não era uma opção quando aceitei sair” Harry me olha com as sobrancelhas levemente arqueadas em confusão e deixa suas mãos caírem em seu colo.

“Você perdeu as chaves?” pergunta com as sobrancelhas franzidas.

“Hannah ficou com elas e eu esqueci de pegá-las” respondo, mordendo meu lábio inferior receosamente “Vou tentar ligar para ela e esperar no corredor até ela voltar.”

“Eu te levo para buscá-las” ele se apressa a falar “Ficar no corredor até tarde não deve ser muito confortável.”

Harry fala e repuxa deliberadamente o lábio inferior com o polegar direito. Observo atentamente o movimento lento e provocativo. A brutal química sexual está praticamente palpável em todo o carro e não há como negar minha atração por ele. No entanto, eu tento constantemente enterrá-la no fundo de um buraco e fingir que ela nunca existiu.

“Não precisa, Harry!” exclamo rapidamente, temendo ser um mais incômodo para ele.

“Eu preciso admitir uma coisa” fala pensativo, escorando suas costas na janela do carro “Nunca fui a uma festa de universitários.”

“Você não perdeu muita coisa” afirmo e ele sorri, balançando a cabeça em negação.

“Acho que você ficou me devendo uma depois que eu te levei ao seu primeiro show” reviro os olhos. A ideia é incogitável e não faço ideia de como ele a considerou.

“Isso não é uma opção” afirmo convicta “Há muitas pessoas e você seria facilmente reconhecido entre os universitários.”

Harry tende seu copo sobre o meu e eu seguro minha respiração por alguns segundos. Céus, ele está tão perto que sinto o ar faltar dos meus pulmões e eu tenho a sensação de que acabei me esquecendo de como se respira. Meu corpo inteiro me trai com apenas uma aproximação.

Segundos depois, Harry tira uma boina preta do porta-luvas do carro e se afasta, colocando-a em sua cabeça como um provável disfarce, mas isso não muda absolutamente nada em sua aparência e eu o reconheceria a metros de distância sem precisar de muito esforço.

“Eu pareço Harry Styles para você?” arqueia as sobrancelhas e eu não consigo segurar o sorriso ao vê-lo se esforçar para entrar em uma festa universitária com um péssimo disfarce.

As festas universitárias não têm muitas coisas a agregar. Não sei se é uma festa em que ele gostaria ou se animaria em estar. Bebidas baratas e universitárias no auge da puberdade não parecem ser seu forte.

“Honestamente, eu não sei o porquê de você estar tão interessado em ir” coloco uma mecha revoltosa do meu cabelo atrás da orelha “E essa boina mal esconde seus cabelos! Eu o reconheceria mesmo de longe.”

“Eu não me reconheceria com isso” afirma, encarando seu reflexo pelo retrovisor do carro e ajeitando a boina em seu cabelo “E é uma oportunidade única e exclusiva de parecer não ser um cara famoso pelo menos uma vez há dez anos.”

“Tudo bem” acabo me dando por vencida e reviro os olhos “Mas, por favor, vamos ser rápidos e tente andar com a cabeça baixa para que a chance de te reconhecerem seja quase nula.”

Harry me encara e percebo que seus olhos parecem estar começando a ganhar vida, como se isso fosse tudo o que ele quisesse ouvir. Sinto que ele está mais animado com a ideia de entrar em uma festa e tentar não ser reconhecido. Pergunto-me se ele não está cansado de tudo isso o rondando e eu me convenço de que deve estar. Não ter privacidade e a liberdade de fazer pequenas coisas deve ser um porre.

Poucos minutos depois, Harry e eu estamos entrando juntos na casa lotada. O fato das luzes estarem quase apagadas e da iluminação estar precária permitem que Harry não seja reconhecido e isso me faz suspirar de alívio. Não sei o que faria caso alguém o reconhecesse e tirasse uma foto.

Devido à aglomeração, eu seguro a mão de Harry e, quando nossas mãos se encontram, eu sinto como se tivesse tomado um choque elétrico. A sensação é indescritível, mas eu empurro quaisquer pensamentos e sensações abruptamente para longe, me privando de todos eles.

“Aquela em cima da mesa não é a sua amiga?” Harry pergunta, apontando para a mesa de beer pong, onde eu a deixei antes de sair.

No momento em que olho para a mesa de beer pong, a encontro dançando sensualmente em cima dela sem a blusa, apenas com um sutiã vermelho rendado. Ando em passos largos, empurrando algumas pessoas para o lado e pedindo desculpas.

“Hannah, o que diabos você está fazendo em cima da mesa?” levanto meu braço para ajudá-la a descer.

“Isso é divertido! Você deveria tentar também” grita, ignorando minha mão estendida e cambaleia alguns passos para trás, quase caindo da mesa, mas ela recupera a pose rapidamente em poucos segundos.

Mattew está do outro lado da mesa, tentando fazê-la descer de lá. Tentativas falhas, porque ela parece muito determinada a continuar a dançar e a atrair olhares, ignorando tudo o que ele fala.

Hannah ameaça tirar a saia xadrez do corpo, colocando as duas mãos ao redor da cintura fina e descendo até o zíper. Ela trava uma batalha sem sucesso contra o zíper e eu tenho que tomar alguma medida, antes que ela faça mais coisas que possa se arrepender amanhã.

“Hannah Cárter, por favor, desça da mesa agora” ordeno, aumentando o tom da minha voz e tentando ao mesmo tempo manter uma pose impecável de autoridade e seriedade, mas com o estado crítico de embriaguês em que ela se encontra agora, eu não tenho tanta certeza de que ela irá levar a sério.

Hannah para de dançar e encara um ponto fixo atrás de mim. Seus olhos arregalam em surpresa e ela aponta o dedo sem escrúpulos para a figura esguia de Harry atrás de mim.

“Oh, meu Deus!” grita histericamente “É Harry Styles…”

Algumas pessoas olham em nossa direção e Harry abaixa a cabeça e a boina rapidamente, como se tivesse algo muito importante no chão para que não vejam seu rosto. Com a constatação de que é Harry, Hannah desce da mesa rapidamente e vai de encontro a ele com toda a determinação cabível no universo.

“Você é real?” ela pergunta, empurrando seu dedo contra o braço de Harry “Ou minha mente embriagada está me confundindo e criando imagens irreais suas?” questiona.

“Hannah, por favor, não faça escândalo" peço e ela me olha com os olhos semicerrados “Está todo mundo olhando.”

“Obrigada, Ceci” Mattew agradece “Faz meia hora que eu estou tentando tirar Hannah de cima da mesa, mas ela se recusava a todo custo.”

“Eu vou levá-la embora” afimo e ele assente com a cabeça.

“Obrigada. Prometi ficar até o final para ajudar o time a limpar a casa.”

“Boa sorte!” desejo a ele, imaginando a bagunça que a casa está e o trabalho praticamente interminável que eles terão.

Coloco um braço de Hannah ao redor do meu pescoço e Harry coloca o outro ao redor dele, ajudando-a a andar sem se desequilibrar e cair no chão.

“Eu. Nunca. Mais. Vou. Beber” Hannah fala pausadamente e tira o braço do meu pescoço para limpar o canto da sua boca “Por favor, Ceci, me lembre de nunca mais beber” implora, encarando-me.

“E no segundo seguinte você estará bebendo vodka pura novamente” respondo e ela nega com a cabeça.

“Nunca mais” ela promete e faz careta, mas quando um garoto passa ao nosso lado, ela se desvencilha de nós dois e toma a bebida das mãos dele, tomando um grande gole em seguida. Então ela joga o copo no chão como uma cena dramática e limpa os lábios com o dorso da mão.

“Hannah!” exclamo, puxando-a para longe da casa.

Quando olho para Harry, ele está rindo silenciosamente de Hannah e eu o acompanho. Hannah está forçando tanto o peso dela em mim que eu sinto que estou quase caindo junto a ela.

Suspiro de alívio ao ouvir o barulho das travas elétricas do carro de Harry sendo destravadas. Harry coloca Hannah sentada no banco traseiro, e antes de fechar a porta, ele coloca o cinto ao redor dela. Entramos juntos no carro e ele parece tão paciente com Hannah, como se já estivesse acostumado com essas cenas. Se eu estivesse sozinha, nunca conseguiria trazê-la para casa.

“Você é tão bonito!” Hannah exclama, arrastando sua fala e encostando sua cabeça no banco de Harry “Cecília tem muita sorte e desperdiça toda a sorte que tem. Você desperdiçaria sua sorte, Harry?”

“Será que você pode ir um pouco mais rápido?” pergunto a Harry “Hannah não vai parar de falar.”

“Cecília, eu sei que você quer muito transar com ele” fala sorrindo marotamente e deixa escapar um soluço logo em seguida.

Não consigo evitar de sugar uma enorme lufada de ar completamente surpresa com sua declaração inconveniente. Minhas bochechas estão queimando em vergonha e eu entreabro a boca várias vezes para negar ou dizer qualquer coisa, mas eu não sei o que falar.

Olho-a com os olhos esfumaçados de raiva para que ela pare de falar, mas ela parece não ligar com o fato de que eu estou quase para matá-la apenas com o olhar. 

“Então quer dizer que você desperdiça a sorte que tem?” arqueia as sobrancelhas e o canto da sua boca se curva em um sorriso torto “Isso explica o fato de bater o rosto na porta e de Prince te derrubar sem muito esforço.”

“Harry, você pode parar por alguns minutos?” Hannah pergunta, sem me dar chances de responder “Seu carro parece limpo e pomposo demais para que eu vomite nele.”

Harry estaciona o carro em uma rua vazia e Hannah corre até o poste para vomitar. Suas costas se curvam para frente, enquanto ela segura no poste.

“Eu nunca falei sobre isso com ela” falo completamente embaraçada.

“Não precisa dizer, perdida. Isso está escrito em sua testa com piloto permanente” afirma rindo.

“Você é muito engraçado” ironizo e reviro os olhos “Você está lendo errado, se é isso o que acha.”

“Hannah é divertida” afirma.

“Vomitar em seu carro parece divertido para mim” arqueio as sobrancelhas e sorrio. Harry imita meu movimento.

“Exceto isso.”

Hannah volta alguns minutos depois tropeçando nos seus próprios pés e senta no banco traseiro do carro. Seu rosto apóia no vidro da janela e seus olhos se fecham, enquanto ela fica totalmente em silêncio. Harry liga o som do carro, deixando ‘Summer of the 69” soar.

O caminho até o apartamento se estendeu em silêncio. Provavelmente minhas bochechas estão coradas até agora em vergonha.

Harry estaciona seu carro em frente ao nosso apartamento e se levanta para me ajudar a tirar Hannah do carro.

“Hannah” chamo-a e ela resmunga algumas palavras, antes de virar seu rosto para o lado oposto “Hannah, estamos em casa” tento mais uma vez, mas ela simplesmente não acorda.

“Eu vou simplesmente fingir que esse dia não existiu” falo em voz alta e Harry sorri, exibindo sua fileira de dentes incrivelmente brancos.

Tento balançar os ombros dela e ela acorda em um sobressalto, arregalando seus olhos e pulando do carro num impulso.

“Obrigada, Harry. Desculpe o incômodo.”

“Foi divertido” ele responde sorrindo e se despede de mim com um beijo na bochecha.

“Até mais, perdida!” exclama e entra no carro, mas ele não sai até Hannah e eu fecharmos o portão.


Oioioi! Como vocês estão?
Espero que bem! Tem alguém que ainda esteja lendo aqui??
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Capítulo 08 | Famous

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 Eu nunca gostei muito de ir a festas, boates ou pubs cheios e eles, infelizmente, são meu pior carma desde que cheguei a Londres. Sinto que eles praticamente me perseguem todo final de semana e, sempre que posso, evito ir. Hoje, no entanto, não consegui fugir e inventar desculpas. Não posso dizer que não tentei, mas Mattew e Hannah me conhecem muito bem para saber quando estou inventando desculpas para tirar o pijama e sair do apartamento.

Matt e seu time ganharam o jogo de futebol hoje à noite e ele me disse que gostaria muito que Hannah e eu fossemos à comemoração. Quando ele me olhou com os olhos brilhantes e significativos de uma criança que implora por um doce, eu realmente não consegui negar, mas também disse a ele que não ficaria muito tempo. À meu favor, amanhã será domingo, ou seja, não precisarei me preocupar tanto com aulas e Matt me prometeu de joelhos que não irá muitas pessoas.

Agora me encontro frente a frente ao espelho, escolhendo peças de roupas que são mais apresentáveis para uma festa à noite. Não tenho muitas opções, por isso escolho peças menos surradas e mais confortáveis e em poucos minutos eu estou devidamente pronta. Clarisse e Clara sempre me ajudaram a escolher roupas para sair, porque eu não sou muito boa nisso, mas desde que me mudei, não tivemos muitos momentos juntas.

Seguro o colar da minha avó com as pontas dos dedos e deslizo meu polegar saudosamente sobre ele. Milhares de sentimentos borbulham dentro de mim e eu sinto algo se esmaecer junto. Eu sinto tanto a sua falta, que é impossível não relembrar do seu sorriso e dos seus cabelos grisalhos. Ela estaria muito orgulhosa de mim agora.

Minha avó sempre me incentivou a sair de casa com mais frequência e a ser quem realmente sou. Por um tempo, eu cogitei a ideia de me formar em medicina para não ser a filha que decepciona seus pais como Clara e Clarisse fizeram, mas eu não poderia fazer isso. Eu não poderia viver fadada a uma vida aprisionada a uma profissão que não me agrada.

“Você está pronta?” Hannah abre abruptamente a porta, fazendo-me dar um sobressalto. Balanço a cabeça de um lado para o outro para me dispersar dos meus devaneios e assinto com a cabeça.

“Estou” respondo, colocando um pouco de cabelo sobre a protuberância formada em minha testa, a fim de escondê-la.

Caminho rapidamente até a porta do quarto, tentando pensar em qualquer outra coisa que não fosse o sorriso mórbido da minha avó no hospital. Desligo a luz do quarto e fecho a porta em uma rapidez desconhecida. Por favor, pense em qualquer outra coisa. Imploro mentalmente. Qualquer outra coisa.

“Eu andei pesquisando um pouco sobre Harry Styles e One Direction esta tarde...” Hannah confessa como quem não quer nada e olha para o teto por alguns segundos, porque ela sabe que eu evito falar sobre Harry desde que ele me trouxe até nosso apartamento semana passada.

Estou ciente de que Hannah almeja muito me ver com outra pessoa e, agora que Harry apareceu, ela insiste que ele é a melhor opção para mim, mas eu geralmente finjo não estar ouvindo e ignoro sua insistência em demasia. Wally não me deixou boas lembranças. Embora Harry e Wally sejam pessoas totalmente diferentes, eu não quero arriscar, não quando o passado ainda faz morada forçada em meu presente.

“Você perdeu seu tempo, Hannah!” exclamo, escondendo um riso “No começo, eu me permiti fantasiar sobre isso por uns dias, mas Harry e eu não temos quase nada em comum e eu sei que não é isso o que eu realmente quero.”

“Você já ouviu falar que os opostos se atraem?” ela questiona como se fosse óbvio, enrugando seu nariz em desaprovação “E que pessoas tem vida fora do campus da universidade?” eleva seus ombros.

“Frases de efeito não surtem efeito comigo, se é isso que espera” retruco, colocando as mãos na cintura.

“Certo” concorda “A fama dele não é uma das melhores, devo admitir" eu sei disso como ninguém. Não consegui me conter nas vezes que procurei por Harry Styles no Google e uma abundância de notícias apareceram na tela de meu notebook. Algumas delas não foram tão agradáveis de serem lidas “Não te incentivaria a ter um caso sério com ele mesmo se você dependesse disso, mas eu te incentivaria a se divertir um pouco em Londres com ele” ela fala com a boca curvada em um sorriso torto “Nada melhor que um astro do pop para te mostrar os prazeres da vida” pisca um olho em minha direção.

“Eu tenho outras definições de diversão” respondo, forçando um sorriso. Hannah não sabe quando parar.

“Olha, Ceci! Eu peço desculpas se eu extrapolei qualquer limite, mas, por favor, pense um pouco sobre o assunto” implora, juntando as mãos na frente do corpo “Qualquer garota no mundo queria estar no seu lugar. Eu queria muito estar no seu lugar...” frisa o eu, usando um tom de voz mais alto..

“Hannah, eu não estou aqui porque eu queria realmente estar. Eu estou aqui por acaso. Harry pode ser algum tipo de deus grego quase intangível, mas a faculdade é mais importante para mim. Você, como ninguém, sabe a minha luta e o meu caminho percorrido. Não posso jogar tudo fora simplesmente para ficar com ele” explico. Não sei se o que eu estou falando é para me confortar, que tanto almejei o impossível ou para explicar Hannah “E eu gostaria muito de encerrar o assunto.”

Hannah assente cabisbaixa. Ela sabe que extrapolou limites com toda essa insistência. Querer e poder são coisas diferentes e eu quero deixar isso bem claro a ela. Eu quero muito ficar com Harry e ignorar todas as coisas que nos impedem, mas eu quero mais ainda me formar e seguir uma carreira como arquiteta com minha luta. Não quero que nada seja um empecilho e eu estou tão perto de finalizar tudo.

Wally conseguiu deixar tudo quebrado quando foi embora, mas eu acabei de me reerguer e estou lutando para construir minha carreira como arquiteta. Não posso deixar tudo pra lá e muito menos precisar de distrações.

No caminho silencioso até o carro de Matt, meu celular vibra, indicando uma mensagem nova e eu abro rapidamente ao ver o nome de Harry na tela. Eu me sinto patética ao perceber que meus lábios estão levemente curvados para o lado com um sorriso e meu coração começou a bater um pouco mais rápido, contradizendo tudo o que eu mentalizei durante a semana inteira.


"Boa noite, perdida!

Como está sua testa? Espero que esteja melhor."


"Boa noite, Roadie, ou melhor, Harry!

Está muito melhor que quando você me acidentou com a porta! Obrigada por se preocupar."


Harry e eu não trocamos mensagens desde o incidente, há uma semana atrás. Parte de mim implorou para me sentir aliviada nesse tempo, mas a parte insana de mim ficou decepcionada à medida que os dias passavam e não havia nem sinal de mensagem. Felizmente, o inchaço do galo diminuiu com o passar dos dias, mas ainda há uma pequena protuberância no lugar. A maquiagem e meu cabelo fizeram seu papel como ninguém e me ajudaram a cobri-la.

Matt buzina o carro para que a gente se apresse e eu começo a andar mais rápido junto a Hannah. Seus saltos não a atrapalham em nenhum momento e eu a invejo. Quando eu coloco saltos, tenho a impressão de que irei cair a qualquer momento e eu tento andar com passos lentos segurando em algo para me ajudar a equilibrar.

“Se houvesse algum prêmio para pessoas atrasadas, vocês duas, indubitavelmente, levariam” Matt declara e revira os olhos impaciente “Há muita bebida, mas com essa demora, elas provavelmente já estão no fim.”

“Você é o culpado de tudo isso” Hannah retruca “Fez o convite em cima da hora e ainda quer ter razão.”

Meu celular vibra mais uma vez, enquanto Hannah e Matt discutem sobre a festa e o nosso atraso interminável, mas as mensagens de Harry, no momento, tomam toda minha atenção, fazendo-me ficar alheia à conversa.


"Rá. Você é tãaao engraçada, Cecília! Mas fico feliz que o hematoma esteja sumindo. Porém, nada se compara com os olhos de panda. Você ficou adorável com eles, no entanto."


Bom saber que você se preocupa com minha aparência também. Nada melhor que mantê-la impecável, não é?


“Você sempre a mantém, independente de qualquer maquiagem! Mas, conte-me mais, Você está se divertindo com prédios históricos esta noite ou obrigaram você mais uma vez a ir a uma festa?”


Meu coração dispara algumas batidas rápidas e eu não sei como responder. Sinto meu rosto inteiro queimar e não tenho dúvidas de que minhas bochechas estão vermelhas, mesmo que ele não esteja aqui para presenciar minha reação ridícula. Eu não deveria reagir e nem me sentir assim; como uma adolescente no auge da puberdade.


“A última opção, embora queria muito estar te respondendo a primeira. E você, está se divertindo quebrando guitarras e tocando bateria ou está relaxando em sua banheira pomposa de espuma com um champanhe caro?”


“Cecília!” Hannah aumenta o tom de voz, quase gritando e só então eu percebo que ela e Matt estão saindo do carro “Sabemos sua aversão a festas, mas você pode, por favor, sair do carro?”

Estava tão alheia à conversa ao meu redor que não percebi que Matt tinha estacionado o carro. Coloco o celular na minha bolsa e saio rapidamente do carro, antes que Matt comece outro discurso sobre atraso. Depois do primeiro sermão, não fico com muita paciência para escutar o segundo.

Matt caminha à nossa frente, nos guiando para dentro da casa. Ele não mentiu quando disse que não teria muitas pessoas e eu fico mais aliviada ao constatar. Começo a relaxar mais e até penso na possibilidade de beber um copo ou dois.

Há algumas pessoas dispersas na escadaria em frente à casa e a música é muito alta, fazendo-me vibrar junto às ondas sonoras. Alguns copos de bebidas se encontram jogados no chão, mesmo com uma lata de lixo grande ao lado.

Passamos pela grande porta da casa e caminhamos até a mesa, onde estão os amigos do time de Matt. Reconheço que estão jogando beer pong quando encostamos à mesa. Matt cumprimenta todos eles com toques de mãos e gírias em demasia e eu me limito a acenos de cabeça e sorrisos tortos.


“Parece tentador, mas eu trocaria o champanhe por um uísque. No momento, estou sentado na gravadora, tomando esporro por beber demais no ensaio de ontem.”


“Por que será que isso não me surpreende nenhum pouco?"


“Você me coloca em uma posição desconfortável falando dessa forma.”


“Pelo menos eu não sou a única desconfortável hoje à noite.”


"Cecília?!” Ben, o amigo de Matt me cumprimenta com olhos franzidos para enxergar melhor, temendo ser um engano ou miragem “O que diabos você faz aqui?”

“Surpreso?” arqueio as sobrancelhas e ergo um sorriso a ele.

“Você não faz ideia do quanto eu estou surpreso” sorri abertamente, como se estivesse contente em me encontrar fora da universidade.

Ben é o único amigo de Matt que faz questão de conversar comigo e de ter minha atenção. Eu o considero o mais legal e engraçado entre todos os outros. Eles fazem questão de fingir que eu não existo, e bem... eu não faço questão de me aproximar. Apesar de não sermos tão próximos, Ben e eu trocamos algumas palavras às vezes nos corredores da universidade ou nas mesas da biblioteca.

“É raridade te ver fora do campus e da biblioteca” tenta se explicar, segurando um copo vermelho nas mãos.

“Se te serve de consolo, eu sempre estou no café da esquina da universidade” coloco as mãos na cintura.

“Deveria trocar café por álcool. Faz bem pra saúde” zomba, piscando um olho e eu não consigo segurar o sorriso que escapa.

“Eu prefiro mesmo meu café. Não há nada melhor que um café puro para iniciar um dia maçante” explico, mesmo sabendo que ele estava brincando “Você sabe, para suportar Emma, eu preciso de boas doses de café antes de enfrentá-la.”

“Não posso discordar” afirma sorrindo e escora seu corpo na mesa “Apesar da brincadeira, eu também amo um café puro de manhã cedo.”

Hannah aparece dançando à minha frente e me entrega um copo com alguma bebida vermelha e eu a agradeço. Começo a observar ao redor da sala e há várias pessoas chegando e eu sei que até mais tarde, a casa estará lotada. Ou seja, eu preciso me preparar para ir embora quando isso acontecer.

Bob me olha sugestivamente e surpreso quando vê o copo cheio de bebida nas minhas mãos, mas segundos depois recupera sua feição de indiferença para que eu não perceba.

“Por que está tão surpreso?” pergunto, dando um gole na bebida “Você me subestima demais, Bob!”

“Por que eu não estaria surpreso?” rebate “Sinceramente, nunca te vi em festas e eu geralmente estou em todas elas.”

“Eu nunca fui muito fã de festas. Aglomerações, no geral. Mas eu às vezes sou influenciada por Hanna e Matthew.”

“Isso explica muita coisa” sorri, exibindo a fileira de dentes brancos.

“Bob, é a sua vez” o loiro exclama e Bob se afasta, alegando que nos veremos mais tarde.

“Hummm…” Hannah geme em provocação “Então quer dizer que você e Bob…”

“Você é maluca!” reviro os olhos e ela sorri abertamente, me abraçando de forma apertada.

Considerando sua fala arrastada e sua forma de agir, Hannah está começando a ficar bêbada no início da festa.

“Desculpa” ele pede e me solta “Eu realmente não sei lidar com você.”

“Está tudo bem.”

Três copos depois eu me sinto um pouco zonza e acho que a bebida está fazendo efeito sobre mim. O que significa que já está na hora de ir para casa.


“Por que isso não me surpreende nenhum pouco?”


Harry responde em provocação, usando a mesma frase que eu há algumas horas atrás e eu não consigo segurar o sorriso, por mais que eu tenha me esforçado ao máximo.


“Copiar frases alheias não é uma resposta definitiva. Inclusive, estou quase indo embora. Está ficando muito cheio.”


“Você não me parece amante de aglomerações. O que é uma pena, porque eu tinha dois ingressos pra você na primeira fila do meu próximo show.”


“Está inventando pretextos para me ver, Harry? Você sabe, era pedir.”


“Você quer carona pra casa? Estou saindo da gravadora agora.”


“Não quero te incomodar. Estou quase a pedir um Uber.”


“Você sabe que não me incomoda. Além disso, eu consigo usar de pretexto para fugir de Simon agora.”


Penso bastante por alguns minutos e eu sei que o álcool está me fazendo reconsiderar a opção de encontrá-lo mais uma vez. Cecília sóbria nunca cogitaria a ideia, mas a Cecília parcialmente bêbada acha a ideia tão tentadora, que eu mal vejo quando passo a localização da festa.

Milésimos de segundos depois fico me perguntando o porquê de ter feito isso e o arrependimento me golpeia brutalmente. Enquanto espero sozinha em frente à casa, sinto meu corpo inteiro entrar em êxtase e estou tão nervosa que sinto meu corpo inteiro tremer em excitação. São sintomas que me lembram primeiros encontros e eu faço questão de mentalizar que isso não é um encontro.

De longe, vejo o carro luxuoso de Harry se aproximar e em poucos segundos ele estaciona em frente à casa. Lentamente, as janelas do carro descem e eu consigo admirar sua aparência impecável por alguns segundos, antes de entrar no carro.

“Sentiu minha falta, perdida?” Harry pergunta no momento em que eu fecho a porta do carro.

“Por que você acha que eu sentiria sua falta?” pergunto, deixando explícito o tom de escárnio em minha voz e no sorriso de canto.

“Porque eu sou teu astro do pop favorito” responde convicto e fecha as janelas do carro.

“Se há alguém mais convencido que você, eu desconheço” respondo “É um feitio seu ou de todos os astros do pop?” pergunto e ele balança a cabeça sorrindo.

Seus cabelos estão maiores e parecem mais macios desde a última vez que eu o encontrei. Há tatuagens cobrindo seus braços e se perdem nas mangas da sua camiseta preta. Seus lábios estão avermelhados e molhados como se ele tivesse acabado de passar a língua para umedecê-los.

Há olheiras pequenas abaixo dos seus olhos, como se não conseguisse dormir direito à noite e mesmo assim, ele continua com a aparência incrivelmente perfeita.

“O machucado está realmente menor desde a última vez que eu o vi” ele passa as mãos em seus cabelos, observando-me atentamente “Você cuidou bem dele?”

“Não tive muito tempo de sobra” respondo, mordendo o lábio inferior “É meu último semestre da faculdade e eu estou quase surtando com a quantidade de provas e trabalhos para fazer” suspiro sofregamente “Os estágios e as aulas estão consumindo meus dias.”

“Eu me lembro de você reclamar sobre isso na casa de Liam. Você está bem com tudo isso?” pergunta preocupado “Eu sei como é pesada a faculdade no último semestre. Gemma, minha irmã mais velha, formou em advocacia há alguns anos e ninguém suportava mais ouvir ela reclamar.”

“Sorte a dela ter concluído” afirmo com convicção “Não vejo a hora de pegar meu diploma e acabar com minha agonia.”

“Vamos esquecer assuntos relacionados a faculdade e sua vida social desastrosa hoje à noite” Harry propõe “Eu comprei alguns lanches e refrigerantes antes de sair. Você aceita?”

“Você estava lendo meus pensamentos” respondo e ele me entrega a sacola com os lanches.

“Você não é muito boa em esconder as coisas” sorri, começando a dirigir.

“Obrigada por me resgatar” agradeço, tirando um lanche da sacola “Hannah estava quase me jogando em cima de Bob. Eu tive que sair escondida pela porta dos fundos.”

O som do carro está ligado baixo com alguma música dos Beatles e o carro inteiro cheira a perfume caro e importado. Eu me pego inspirando profundamente, apenas para sentir um pouco mais e segundos depois me recrimino por estar me permitindo fazer essas coisas. Eu realmente não deveria.

“Tudo bem se eu passar em casa antes?” pergunta “Eu preciso deixar os lanches para Gemma.”

Assinto com a cabeça, passando minha mão pela barra do sobretudo. Nunca me senti tão nervosa como estou me sentindo agora e eu sinto como se tivesse perto de apresentar um trabalho muito importante.

Harry para o carro em frente ao enorme portão da sua casa quando eu estou prestes a acabar de comer o lanche. Ele aperta um botão em um controle em sua mão, fazendo o portão abrir retinindo o som pela entrada. Harry volta a dirigir por um caminho pouco arborizado até a entrada da sua casa.

“Puxa!” exclamo, admirando cada detalhe da arquitetura impecável da fachada da casa. Isso é realmente surreal “Eu posso pegar aquele vaso e fazer um leilão? Sinceramente, acho que todas as minhas dívidas estariam pagas” Harry me olha sorrindo.

“Fique à vontade” fala, saindo do carro e eu o acompanho.

“Sua mansão praticamente grita ‘pobre’ para mim em vinte línguas diferentes” falo, seguindo-o para dentro da casa.

“Você é a primeira pessoa a me deixar constrangido com minha conta bancária” ele fala e eu me apresso para me desculpar.

“Oh! Não era essa a minha intenção. Eu só estava brincando” respondo-o, sentindo-me culpada “Eu posso te fazer uma pergunta?" Harry balança a cabeça para cima e para baixo em resposta “Por que você está fazendo tudo isso? Tentando me manter por perto e fugindo ao mesmo tempo.”

“Você quer que eu seja sincero?” pergunta e eu afirmo veemente com a cabeça “Há muito tempo que eu não me sinto bem com a companhia de uma pessoa. Você ignora o fato da minha conta bancária ser opulenta e não demonstra qualquer interesse em ganhar fama em cima de mim.”

“Com exceção a Hannah e Mattew, ninguém nunca insistiu em minha amizade dessa forma” explico.

Ao me virar contra a fachada, me surpreendo. Em frente à casa há uma piscina enorme e iluminada, junto a uma escada que nos guia até a entrada da casa. Há vidro e iluminação por toda parte. Os enfeites efeito madeira me deixam perplexa e fascinada.

Harry volta a caminhar para dentro de sua casa e eu continuo andando atrás, memorizando e admirando cada detalhe possível. Ele abre a enorme porta de madeira e um cachorro enorme começa a latir e pular em seu corpo em busca de carinho e diversão.

"Boa noite, garotão!" Harry fala, passando as mãos nos pelos do cachorro "Diga olá para a visita" dá alguns passos para o lado para que o cachorro me veja.

Quando o cachorro percebe minha presença na sala, ele corre rapidamente em minha direção com a língua estirada para fora da boca e completamente eufórico. Não tenho tempo de correr ou me afastar, e quando eu percebo ele está pulando em cima de mim, derrubando-me no piso frio de porcelanato. O baque é alto e o som ecoa por toda a sala vazia. Eu sinto minhas bochechas corarem, enquanto tento afastar meu rosto das lambidas do cachorro. Céus, ele é tão grande!

"Acho que você já conheceu o Prince" gargalha e se agacha, começando a acariciar os pelos do cachorro novamente, tirando-o de cima de mim.

"Acho que o peso dele é maior que o meu" falo, sentando-me no chão ao lado do cachorro.

"Ele machucou você?" pergunta e eu nego com a cabeça.

"É o cachorro mais fofo que já conheci" apesar da aparência de um cachorro que pode te devorar com apenas uma mordida, ele é muito dócil.

Harry se levanta e me oferece uma de suas mãos, tentando me deixar em pé sem que eu me desequilibre. Suas mãos estão quentes e macias, embora pouco calejadas e eu sinto um arrepio correr pela minha espinha, como se fosse a primeira vez e eu o encaro atentamente.

Entramos juntos em sua cozinha imensa e ele deixa a sacola com alguns lanches para Gemma em cima da mesa. Seu cachorro nos segue a todo o momento, entrelaçando em nossas pernas como se estivesse muito feliz com a chegada de Harry e, pelo visto, a minha também.

A janela de vidro enorme à minha frente me dá uma vista incrível da cidade toda iluminada e me faz querer ficar por mais alguns minutos. Nos fundos há uma quadra imensa e iluminada.

“Gem?” ele grita, roubando minha atenção “O lanche está aqui.”


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