Há quase dois anos, eu e Peter estávamos em um relacionamento sério. Eu o amava mais que amava a mim. Ele me completava e me protegia. Eu me sentia segura com ele, mas, ultimamente, isso vinha mudando muito. Ele me deixava com um medo indescritível e vivia me trocando por uma noite com drogas e com seus amigos. Sentia saudades de quando ele me amava mais do que as porcarias que usava diariamente. Ele sentia necessidade mais delas que de mim.
— Peter, precisamos conversar! — disse, por fim, criando uma coragem repentina. Seu rosto mudou de um sorriso sádico e malicioso para preocupado, e eu engoli em seco. A fumaça do cigarro de maconha em suas mãos me incomodava bastante, e eu tive vontade de pedir para ele parar de fumar em minha frente.
Eu tinha medo de me abrir para Peter e ele começar com suas crises malucas, depois começar a me bater, descontando toda sua frustração. Depois que ele passou a ter mais necessidades das drogas do que de mim, ele se tornou um louco agressivo a ponto de me espancar. Eu tinha medo do que ele poderia fazer agora como nunca tive.
— Eu... Eu estou grávida — despejei, e ele me olhou incrédulo. Soltou uma gargalhada irônica e, percebendo que ninguém ria, parou. Sua feição passou de maliciosa para furiosa, como nunca esteve, e suas mãos estavam fechadas em punhos, prontas para me acertar.
— Você só pode estar brincando! — Estressou-se e apontou o dedo imundo em meu rosto. — Isso é tudo culpa sua, sua vadia! — Passou as mãos no cabelo e começou a andar de um lado para o outro, nervosamente, na pequena sala. As lágrimas jorravam pelo meu rosto e eu tinha vontade de fugir do inferno que minha vida se tornou. — Você vai abortar isso, ou eu... Eu juro que...
Meus olhos se arregalaram e eu peguei em minha barriga, com medo do que ele fosse capaz de fazer.
Eu não era capaz de abortar a vida que trazia comigo. Era desumano e uma coisa completamente irracional. E digamos que eu era humana demais para deixar isso acontecer. Encolhi-me no sofá e o olhei desesperada, com medo do que ele fosse capaz de fazer.
— Você não vai fazer coisa nenhuma. — Minha tia apareceu da cozinha, totalmente irritada com as palavras de Peter. Seu semblante transparecia estar tão raivoso quanto o de Peter. — Você, seu infeliz, vai dar o fora da minha casa e pensar em todas as suas miseráveis palavras!
— Eu vou para casa, mas aviso, de antemão, que não voltarei aqui nunca mais. — Andou até a porta de casa e a bateu fortemente. O estrondo alto me fez tremer de medo e de angustia. Apertei meus olhos fortemente, desejando que a dor em meu peito ficasse menos intensa que a que eu sentia neste momento.
— Vai ficar tudo bem, Ceci! — Tentou me acalmar. — Estamos juntas nessa.
Tentei acreditar em suas palavras, tentei acreditar que tudo iria ficar bem e que eu seguiria normalmente minha vida, mesmo com toda essa tempestade de acontecimentos. Eu desejava a minha felicidade e, desde que meu bebê estivesse salvo, eu ficaria feliz. Restava-me apenas ter esperanças de que o amanhã me guardava apenas coisas boas.
Desde criança, eu assistia meu pai chegar bêbado em casa e descontar suas frustrações em minha mãe. Eu a considerava com uma guerreira, porque, mesmo sofrendo de dores psicológicas e físicas, ela carregava um sorriso no rosto. Implorei para que ela voltasse e me ajudasse a suportar o peso que o mundo deixou em minhas costas, mas, cada vez que eu implorava, a realidade vinha à tona da pior forma possível.
[...]
Oi, meninas! Tudo bem?
Espero imensamente que tenham gostado do capítulo e não se esqueçam de comentar.


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