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Capítulo 01 | Famous

em 05/11/2020 |

 Há duas coisas que você precisa saber sobre Hannah Carter, minha colega de apartamento e melhor amiga desde que Londres se tornou, oficialmente, meu lar. A primeira é que ela é a pessoa mais persuasiva do mundo inteiro, me arrastando para qualquer lugar que não fosse nosso apartamento ou a biblioteca da faculdade e a segunda é que as festas são sua primeira casa, ou melhor, ela vive mais em festas que em seu próprio apartamento.

Em seus vinte e quatro anos recém completos, Hannah queria comemorá-los como se não houvesse amanhã, porque estamos em seu penúltimo semestre na faculdade, ou seja, ano que vem ela não estará mais comemorando seu aniversário na faculdade. Ela usou quinze motivos persuasivos para me tirar da minha zona de conforto e trazer até uma boate. Em suas palavras, a melhor boate de Londres, embora, em minha opinião, um pub seria melhor, porque não pegaríamos uma fila interminável, nem ficaríamos espremidas como sardinhas enlatadas em meio a tantas pessoas.

O rock pesado que toca no som carro quase explode meus ouvidos com a altura que Hannah ligou quando saímos do apartamento, mas ela, em nenhuma circunstância, abaixava o volume. Parte de mim deveria estar acostumada com essa situação por estar vivendo tantos anos embaixo do mesmo teto, mas eu simplesmente não consigo. Meus ouvidos estão começando a zumbir e o caminho até a boate parece ter se estendido drasticamente.

A música alta da boate mais próxima faz as janelas do carro vibrarem freneticamente e se mistura ao som do rock pesado, fazendo uma junção nada agradável e de difícil compreensão. Hannah para o carro mais próximo possível do local, mas, como consequência do alto número de pessoas e de carros estacionados, o carro de Hannah fica um pouco mais distante que o esperado e planejado.

“Isso está uma loucura!” exclamo atônita ao observar o fluxo de pessoas caminhando na calçada e de carros estacionados. Abro a porta do carro em uma rapidez desconhecida, enquanto Hannah desliga o som e pula na calçada com suas botas pretas e inseparáveis de cano alto.

Fecho a porta do carro brutalmente, mesmo sabendo que Hannah não irá sentir a força que estou exercendo para fechá-la, embora desejo que sinta. Mal consigo ficar em pé nos saltos que ela me emprestou. Sinto que irei cair a qualquer momento, e, contando com o fato de que mal sei caminhar com eles, apenas piora a situação em que me encontro.

Há inúmeras lojas e bares no caminho. Letreiros luminosos e postes com as luzes amareladas iluminam as calçadas durante a caminhada longa dos quarteirões em que passamos, ao mesmo tempo em que observo pessoas de vários estilos passando ao meu lado no trajeto até a entrada e nenhuma delas se parece comigo.

O tamanho da fila é assustador. Talvez seja a hora de reconsiderar nossa entrada; um barzinho e algumas doses de tequila cairiam bem neste momento, mas os planos de Hannah não se parecem muito com ‘reconsiderar a nossa entrada’, porque, mesmo com a fila interminável, ela caminha animadamente até a porta da entrada.

Algumas pessoas cumprimentam Hannah à medida que encostamos à entrada e eu me questiono se é essa a boate que ela vivia enaltecendo desde o mês passado, quando Matt a apresentou. Ambos tentaram me arrastar até ela, mas meu foco nas provas e trabalhos da faculdade era maior. Até esta noite, no entanto.

"Vamos para casa, Hannah" imploro quando chegamos próximo à entrada enorme da boate.

Gosto da imagem que se reflete através do espelho; uma versão mais bonita e ousada de mim que eu gostaria de explorar mais vezes. No entanto, sair não é bem o que eu gosto de fazer. A quantidade de pessoas é um pouco intimidador para mim e eu tento ignorar o fato. Um filme qualquer e uma pizza deliciosa seriam suficientes para me divertir em um aniversário.

Vejo o letreiro da boate oscilando entre azul e rosa neon irrefreávelmente, iluminando precariamente a calçada e as primeiras pessoas na fila. Há dois seguranças de terno na entrada, impedindo as pessoas de passarem e pegando somente as pessoas que têm o nome na lista ou ticket.

"E perder a melhor parte?" abre um sorriso enorme e completa, por fim: "Não mesmo, Ceci!" aumenta o tom de voz por estarmos cada vez mais perto da música alta "Faz isso ao menos uma vez na vida" tento sorrir e espantar meu desconforto. Sei que ela está certa, mas não quero dar o braço a torcer, principalmente porque tenho aula amanhã cedo.

"Desculpe, garotas, mas a boate está reservada esta noite" o homem gigante de terno a nossa frente fala quando tentamos cortar a fila. Há algumas pessoas inconformadas nela, porque não conseguem entrar também. Apesar da música alta, consigo escutar alguns resmungos inconformados.

"Acho que devemos ir embora, não?" pergunto e suspiro aliviada “Tem um pub…” Hannah nega, me interrompendo. O sorriso malicioso que começa a ostentar em seu rosto fino a entrega, dando-me a sensação de que não vai acontecer nada de bom nos próximos minutos, e eu bem como a conheço, não quero imaginar.

“Espera um pouco" sussurra, como se o segurança pudesse ouvir com a música ensurdecedora tocando “Eu tenho um papel que Ethan pediu para entregar, caso nossa entrada fosse negada” pisca e volta ao segurança, sussurrando algo em seu ouvido. O sorriso malicioso que ele oferece em resposta me causa náuseas, mas quando Hannah tira um papel amassado e os tickets do peito para não pegarmos a fila enorme, ele aceita e, desta vez, sem hesitar, nos deixa entrar.

Caminhamos por um pequeno corredor estreito e iluminado também com luzes neon. Ao chegar ao final dele, vejo a aglomeração tão intensa de pessoas em todos os lugares, que é quase impossível caminhar sem acabar esbarrando em alguém.

Tento me equilibrar no salto enquanto andamos em meio às pessoas em direção ao bar, porque Hannah disse que é essencial comemorar seu aniversário com algumas doses.

As luzes coloridas rodam por todo salão e há um DJ em cima do palco principal tocando uma música eletrônica agitada. Minha irmã mais nova adoraria estar em meu lugar, no entanto, aqui estou eu; nada amante de baladas e bebidas à procura do bar. Acho que Hannah e eu criamos um impasse.

Há várias pessoas na pista dançando animadamente e cantando. Toda essa situação me faz sentir um pouco deslocada, principalmente porque devo ser a única indo a uma festa preocupada com o dia seguinte, mas tento me recompor novamente e colocar um sorriso no rosto. Acho que devo um pouco de diversão a mim mesma há um tempo.

Hannah para em frente ao bar lotado. Há várias pessoas na fila e os barmans estão fazendo todas as bebidas às pressas devido a quantidade de pessoas. Após longos minutos de espera, Hannah consegue pedir bebida para nós duas. Embora não tenha conseguido escutar o nome delas, tenho certeza de que é algo forte. Principalmente quando está animada, ela sempre exagera na quantidade de álcool.

"É isso que eu chamo de vida" fala alto em meu ouvido e eu não consigo responder. Nossas definições de vida são completamente opostas e ela sabe disso como ninguém.

O barman traz as bebidas vermelhas que Hannah pediu, deixando-as no balcão à nossa frente. Hannah vira o copo, enquanto eu tomo um pequeno gole. Diferente dela, sou fraca com bebidas, por isso tento maneirar nas doses.

"Caramba, Ceci!" Hannah faz careta e bate o copo vazio no balcão "Você está se saindo muito bem hoje!" comemora, porque não costumo beber quando saímos, embora nossas saídas aconteçam raramente. Normalmente peço algum suco ou água e recuso a bebida.

Estamos paradas em frente ao bar, no mesmo tempo em que todos dançam e gritam ao nosso redor. Ninguém parece se preocupar tanto com a bebida à medida que o tempo passa, pois o bar está ficando cada vez mais vazio, permitindo que continuássemos ali.

“Não olha agora, mas tem um cara muito quente te encarando” Hannah fala, enquanto começo a ficar nervosa. Quero me virar e olhá-lo no mesmo instante, porque odeio quando minha curiosidade atinge o ápice e com Hannah falando dessa forma, tende a aguçar cada vez mais. Minhas mãos estão suando, enquanto arrumo meu cabelo desajeitadamente “Céus, ele é muito gato!” Hannah bebe um gole da sua bebida o encarando minuciosamente em aprovação “Ele está caminhando em nossa direção, então é a minha deixa para dançar” levanta do banco, deixando-o livre.

“Espera” aumento o tom da minha voz, mas ela começa a caminhar na direção oposta à minha.

“Divirta-se por mim” Hannah vira e grita, antes de sumir na multidão. Reviro os olhos e me viro para o barman que agitando alguma bebida à minha frente, fingindo total interesse.

"Perdida?" uma voz grutal soa abafada atrás de mim.

Viro-me lentamente em direção ao dono da voz e quase deixo o copo cheio cair das minhas mãos, ao mesmo tempo em que minha boca se abre involuntariamente.

Seus olhos verdes como esmeraldas estão me encarando intensamente e um sorriso malicioso começa a surgir em seus lábios rosados e perfeitamente desenhados, enquanto as maçãs do rosto, incrivelmente perfeitas, se movem. Sua mão direita joga seu cabelo, que insiste em cair nos olhos, atrás da cabeça, deixando à mostra todos os anéis em seus dedos esguios e se perde nos fios sedosos e macios da nuca.

A blusa preta com manga curta em seu corpo parece apertar levemente seus músculos e deixa expostas todas as tatuagens em seus braços definidos. Seus ombros são largos e eu consigo imaginar minhas unhas correndo por suas costas. Minha imaginação fértil está me levando para lugares inimagináveis, que deixam minhas bochechas queimarem em vergonha. Ele é quente como inferno e exala sexo em todas as partes do seu corpo, principalmente em seu sorriso carregado de malícia e em seus movimentos que parecem milimetricamente calculados para deixá-lo ainda mais sexy e bonito.

"O gato comeu sua língua?" abro a boca e fecho sem saber o que responder. Sua beleza completamente invulgar me deixa sem palavras.

O sorriso malicioso não sai dos seus lábios à medida que os segundos correm. Ele apenas aumenta, como se soubesse de todos os pensamentos sórdidos que correm em minha imaginação.

"Desculpe?" ainda estou atordoada e tento não gaguejar. Quem é esse cara?

"Qual o seu nome?" pergunta, sentando-se ao meu lado, no lugar que Hannah deixou vazio. Sinto minhas mãos começarem a tremer, então arrumo os fios rebeldes do meu cabelo, durante a segunda vez, tentando esconder o nervosismo aparente, mas é quase impossível. Não com esse homem enorme ao meu lado.

"Cecília" imagino-o sussurrando meu nome em seus lábios rosados junto à sua voz rouca e parece cair tão bem.

"É um prazer enorme, Cecília" toma um gole de sua bebida e volta a falar "Sou Harry. Harry Styles."

Sua língua contorna lentamente seus lábios rosados, umedecendo-os. A cena é tão sexy que me pego desejando beijá-lo e eu sequer o conheço. Meus pensamentos são tão pecaminosos, que sinto minhas bochechas corarem em vergonha durante a segunda vez.

"Pode me chamar de Ceci" vejo Hannah nos assistindo de longe com um sorriso enorme nos lábios. Harry parece perceber o comportamento de Hannah também, pois seu sorriso se alarga e suas covinhas aparecem em cada lado da sua bochecha.

"E o que você faz, além de se perder nas boates?" volto minha atenção a seu rosto e arqueio as sobrancelhas.

"Ei! Eu não estou perdida" resmungo e um sorriso cresce em seus lábios, fazendo-me abrir outro em seguida. Ele está brincando. Começo a entender o sentido literal da sua frase; ele sabe, de alguma forma, que não me encaixo em boates. Provavelmente porque minha preocupação com as aulas está aparente "Estou cursando arquitetura, e você?"

Harry demora alguns segundos para me responder, talvez por vergonha ou receio da sua profissão.

"Sou um roadie" afirma hesitante e meus olhos arregalam em surpresa e adoração.

"Céus!" animo-me "Você deve viajar muito, não é?" ele afirma, dando mais um gole em sua bebida. O sorriso, agora divertido, não sai dos seus lábios.

"Passo o tempo inteiro viajando, então é difícil parar em casa" acho que meus olhos estão brilhando na menção de viajar o mundo, porque é isso o que eu sempre sonhei, além de ser arquiteta.

"Minha irmã é mochileira e eu invejo sua coragem. Queria passar o tempo todo viajando também. Deve ser muito divertido" ele assente e pede uma cerveja ao barman, porque a sua anterior acabou há alguns minutos.

"Quando falam sobre a aventura de viajar o mundo, esquecem de contar sobre o cansaço infinito e a vontade de voltar para casa" pondero a situação e o cansaço não me impediria de viajar o mundo “Sinto falta das pequenas coisas, como ficar em casa com minha família e beber cerveja com meus tios, enquanto assistimos uma partida de futebol.”

“Vocês não fazem mais isso?” pergunto, sentindo a melancolia em sua fala, apesar de não o conhecer.

“Não com tanta frequência quanto eu gostaria” levanta a cabeça e a balança levemente, como se quisesse espantar todos os pensamentos que o rondam.

O barman demora alguns segundos para trazer a bebida. Quando Harry se levanta para pegar o dinheiro no bolso da calça jeans, o barman nega com a cabeça, fazendo-o sentar novamente.

Então começamos a entrar em um universo paralelo durante os próximos minutos; conversamos sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Conversamos sobre suas viagens e em como o invejo e sonho em viajar o mundo, sobre arquitetura e meu amor pela profissão, sobre as bebidas e rimos das pessoas bêbadas ao nosso redor.

“Você não quer ir para a parte vip comigo?” pergunta, e aponta para as grades do andar de cima “Isso está um loucura!”

Oscilo meu olhar entre o andar de cima e o de baixo e deixo um suspiro alto escapar. Por que não? Questiono-me internamente, enquanto tento criar coragem para aceitar. Um pouco de diversão não faz mal a ninguém, não é? Beijar um desconhecido quase entrou para a lista de coisas que eu queria fazer em Londres, se eu não estivesse tão focada nos estudos.

“E então…?” ele pergunta, esperando uma resposta imediata.

“Certo” afirmo e ele se levanta.

Deixo meu copo de bebida pela metade para trás quando me levanto. Harry entrelaça sua mão calejada na minha e me guia em meio à pista de dança lotada de corpos suados dançando. A fumaça, típica de baladas e boates, jorra quando estamos passando, dificultando nossa visão por alguns segundos.

Há alguns olhares voltados para nós, enquanto caminhamos em direção às escadas e eu me questiono o motivo. Há algo de errado com meu cabelo? Considerando a quantidade de vezes que o ajeitei para esconder o nervosismo, provavelmente não.

Harry solta minha mão e passa primeiro pelos seguranças e quando eu tento passar, ele me barra com o braço ridiculamente forte, fazendo-me recuar alguns passos.

“É necessário a pulseira, senhorita” sua voz grossa me dá arrepios e eu assinto, dando mais um passo para trás.

“Ela está comigo” Harry assegura ao segurança e segura minha mão, ajudando-me a passar por ele tão facilmente que não consigo evitar a feição de surpresa.

O segurança assente e permite a minha entrada, voltando a colocar as duas mãos na frente do corpo. Uau! exclamo mentalmente, surpresa com a facilidade que Harry conseguiu convencer o segurança.

Juntos subimos as escadas e chegamos ao primeiro andar. A quantidade de pessoas é incomparável com o andar de baixo e eu acho que consigo contar nos dedos. Fico aliviada, porque me sinto mais confortável. No entanto, as roupas e jóias ostentadas sequer chegam a caber em meu orçamento.

“Você quer algo para beber?” pergunta e eu nego com a cabeça.

“Já bebi o suficiente por uma noite” Harry assente e nos guia para uma mesa vazia no canto.

“Vou pegar algo. Tudo bem esperar aqui por um tempo?” assinto com a cabeça e me sento no banco.

Assisto a figura esguia de Harry caminhar até o bar e conversar com o único barman disponível. Meu celular começa a vibrar na bolsa no mesmo instante, indicando uma mensagem nova e eu o tiro de lá, desviando a atenção de Harry para ele. Hannah.


“Onde você está, Cecília???”


Olho para Harry uma última vez, antes de vê-lo conversando com outras duas garotas que estão ao seu lado no bar. Bom demais para ser real. O choque de realidade me golpeia com uma força brutal e eu suspiro alto. Começo a questionar o que diabos estou fazendo aqui.


“Estou na área vip. Quase voltando para casa.”


“COMO VOCÊ CHEGOU ATÉ AÍ??? Quer que eu te leve para casa?”


“Longa história. Conto quando chegar em casa.

Não é necessário. Obrigada. Vou pegar um Uber.” 


"Certo. Espero que o motivo seja nada menos que o pedaço de mal caminho. Aguardo os detalhes ansiosamente."


Começo a me levantar da mesa, pronta para andar para o mesmo lugar onde entrei, mas uma mão fria no meu ombro me faz parar e a diferença de temperatura me faz arrepiar.

"Tentando sair despercebida, Cecília?" Harry fala, ostentando sarcasmo em sua voz seguido de um sorrisinho de lado.

"Sim…” balanço a cabeça de um lado para o outro “Quer dizer… não.”

“Desculpe-me a demora” sorri, sentando-se ao meu lado e bebe um pouco da bebida em suas mãos “Encontrei velhas amigas no bar” afirma.

Seus ombros estão colados nos meus. Se a manga do meu vestido não estivesse ali, sentiria sua pele junto a minha e eu me pego desejando que não estivesse, mas dois segundos depois me pego ne recriminando por pensar sobre isso.

Seus olhos de cor esmeralda estão presos nos meus e eu não consigo desviar um segundo sequer. Meu subconsciente implora para que ele me beije, mas minha mente grita que é errado e que eu mal o conheço. No entanto, ele está tão perto que minha respiração trava e eu não quero me mover.

"Está tudo bem" respondo alguns segundos depois. Harry arruma seus cabelos e encosta um pouco mais perto de mim, como se quisesse me beijar.

“Eu quero muito beijar você agora” fala, enquanto tira a mecha de cabelo que entrou na frente dos meus olhos “Mas eu não posso fazer isso sem sua permissão.”

“Huh!” exclamo surpresa “Eu…”

Antes que eu consiga completar a frase, pronta para aceitar sua proposta, uma figura alta para ao nosso lado. Seus braços estão cruzados abaixo do peito, suas sobrancelhas grossas estão franzidas e algumas veias saltam do seu pescoço em uma pose completamente autoritária e nervosa.

"Simon está uma pilha de nervos por sua causa, Harry!" sua voz grossa soa abafada por conta da música alta, mas eu ainda consigo escutar claramente.

Cabelos meio raspados, blusa preta com o símbolo da nirvana, coturnos pretos e uma beleza de tirar o fôlego completam seu visual de membro de uma banda de rock.

"Ele está procurando por você há horas" seus olhos reviram em impaciência.

"Estou ocupado agora, Liam" avisa e o outro nega, quase rindo desacreditado com a situação.

"Tom está te esperando na entrada" avisa e se vira para sair “Agora” ordena e nos dá as costas. 

Ele não parece amigável, pois não me cumprimentou e ignorou minha presença na mesa. Não estava esperando uma apresentação informal, mas um cumprimento é essencial. Continuo sentada, olhando-o sem reação. Harry coça a cabeça, provavelmente desconfortável com o ocorrido "Desculpe a falta de educação. Aquele é o Liam" Liam é tão bonito quanto Harry e seu rosto é angelical, não tem a malícia que Harry carrega consigo, mas é um pouco arrogante, então acho que seu rosto não faz jus à sua personalidade.

“Deixe-me adivinhar” Harry assente, esperando eu completar a frase “Membro da banda que você trabalha?”

“Está mais para um pai que realmente um membro” sorri e coloca seu copo, ainda cheio, em cima da mesa "Olha, eu preciso mesmo ir" resmunga e se levanta.

"Tudo bem. Não quero tomar seu tempo" abro um meio sorriso e me levanto "Está tarde e Hannah deve ter saído com um cara qualquer. Vou pegar um uber e..."

"Eu te deixo em casa" me interrompe e começamos a caminhar juntos até a saída.

"Não precisa se incomodar, Harry. Eu vou chamar um uber. Minha casa não é tão longe" tento não tropeçar nos saltos, enquanto caminhamos juntos, mas fica cada vez mais complicado, porque ele caminha muito rápido "Além disso, aquele cara disse que tinha alguém te esperando e eu não quero incomodar ele também."

Termino de falar e, quando alcançamos à calçada, escuto alguns gritos ensurdecedores e flashes por todos os lados. Sinto-me zonza e coloco a mão no rosto para tapar todo transtorno. Sua mão segura a minha, mas não quero soltar, porque sei que se eu soltar, não conseguirei andar.

Salpicos coloridos dificultam minha visão e eu não consigo ver para onde estamos indo, fazendo com que seja mais difícil caminhar com os saltos. Há uma multidão ao nosso redor, eu consigo sentir devido à força dos gritos.

"Droga" escuto Noah resmungar quando entro em seu carro.

Há alguém de terno preto no banco do motorista, enquanto estamos no banco de trás. Há pessoas rondando o carro e tudo isso me deixa confusa. Ele era algum roadie de alguém bem famoso, pelo visto.

"Desculpe-me o transtorno” suspira “Pensei que eles não estariam aqui hoje.”

"Está tudo bem" tento sorrir e passar-lhe conforto, mas não quero aparecer em jornais amanhã e eu espero que não aconteça. Um roadie não pode ser tão famoso, não é?

"Onde você mora?" minhas mãos estão trêmulas. Ainda consigo ouvir os gritos quando saímos da boate. Após dar as indicações ao motorista, ele dá partida no carro.

"Você pode me passar seu número?" o receio toma conta de mim por um momento "Por favor" implora quando começa a ver que eu estou receosa.

“Não costumo dar meu número a desconhecidos” ironizo e seu sorriso se abre.

“Eu sou um desconhecido que está te dando carona neste momento, então acho que você pode abrir uma exceção hoje.”

“Tudo bem” Harry sorri e me entrega seu celular.

“Então, futura arquiteta, o que te motivou escolher a profissão?” arqueia a sobrancelha e eu devolvo seu celular, após digitar meu número.

“Desde sempre gostei de desenhar ao mesmo tempo em que gostava de matemática, arte e história. Então decidi juntar o útil ao agradável” Harry passa as mãos em seu cabelo, bagunçando-os ainda mais  "E você, o que te motivou a ser um roadie?"

"Não sei. Acho que a ideia de conhecer o mundo parecia ser algo que eu seria incapaz de explicar" apesar da luz precária, consigo ver seus olhos ganhando um brilho invulgar e é tão lindo.

"Não é mais?" arqueio a sobrancelha.

"Eu continuo não sendo capaz de explicar" sorri "Um homem cansado, que viaja o mundo e ainda não consegue explicar a sensação. Isso soa engraçado para você?"

"Um pouco."

A boate é próxima ao meu apartamento, então a corrida não demora muito tempo. Harry observa o prédio inteiro minuciosamente, enquanto o silêncio toma o carro inteiro.  

"Legal" sorri de lado e o motorista abre a porta do carro. Não sei como me despedir, mas tento da maneira tradicional possível. 

"Tchau, Harry! Foi um prazer te conhecer" sorrio e beijo sua bochecha, mas ele vira o rosto, roçando seus lábios nos meus. Por ser pega de surpresa, fico petrificada e me falta ar. Harry se afasta sorrindo.

"O prazer é todo meu" sussurra maliciosamente e minhas bochechas ficam avermelhadas, enquanto saio do carro e fecho a porta.


Bom dia, lindinhas! Tudo bem?
É tão saudoso voltar aqui e escrever novamente. Eu me sinto com doze anos novamente, mas um pouco mais madura (ou não, hahaha).
Eu não faço ideia do que me motivou voltar aqui e escrever, mas aqui estou eu, muito feliz com tudo o que aconteceu comigo de uns anos para trás e muito inspirada.
Beijosssss! Até o próximo capítulo.

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