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Capítulo 08 | Famous

em 17/03/2021 |


 Eu nunca gostei muito de ir a festas, boates ou pubs cheios e eles, infelizmente, são meu pior carma desde que cheguei a Londres. Sinto que eles praticamente me perseguem todo final de semana e, sempre que posso, evito ir. Hoje, no entanto, não consegui fugir e inventar desculpas. Não posso dizer que não tentei, mas Mattew e Hannah me conhecem muito bem para saber quando estou inventando desculpas para tirar o pijama e sair do apartamento.

Matt e seu time ganharam o jogo de futebol hoje à noite e ele me disse que gostaria muito que Hannah e eu fossemos à comemoração. Quando ele me olhou com os olhos brilhantes e significativos de uma criança que implora por um doce, eu realmente não consegui negar, mas também disse a ele que não ficaria muito tempo. À meu favor, amanhã será domingo, ou seja, não precisarei me preocupar tanto com aulas e Matt me prometeu de joelhos que não irá muitas pessoas.

Agora me encontro frente a frente ao espelho, escolhendo peças de roupas que são mais apresentáveis para uma festa à noite. Não tenho muitas opções, por isso escolho peças menos surradas e mais confortáveis e em poucos minutos eu estou devidamente pronta. Clarisse e Clara sempre me ajudaram a escolher roupas para sair, porque eu não sou muito boa nisso, mas desde que me mudei, não tivemos muitos momentos juntas.

Seguro o colar da minha avó com as pontas dos dedos e deslizo meu polegar saudosamente sobre ele. Milhares de sentimentos borbulham dentro de mim e eu sinto algo se esmaecer junto. Eu sinto tanto a sua falta, que é impossível não relembrar do seu sorriso e dos seus cabelos grisalhos. Ela estaria muito orgulhosa de mim agora.

Minha avó sempre me incentivou a sair de casa com mais frequência e a ser quem realmente sou. Por um tempo, eu cogitei a ideia de me formar em medicina para não ser a filha que decepciona seus pais como Clara e Clarisse fizeram, mas eu não poderia fazer isso. Eu não poderia viver fadada a uma vida aprisionada a uma profissão que não me agrada.

“Você está pronta?” Hannah abre abruptamente a porta, fazendo-me dar um sobressalto. Balanço a cabeça de um lado para o outro para me dispersar dos meus devaneios e assinto com a cabeça.

“Estou” respondo, colocando um pouco de cabelo sobre a protuberância formada em minha testa, a fim de escondê-la.

Caminho rapidamente até a porta do quarto, tentando pensar em qualquer outra coisa que não fosse o sorriso mórbido da minha avó no hospital. Desligo a luz do quarto e fecho a porta em uma rapidez desconhecida. Por favor, pense em qualquer outra coisa. Imploro mentalmente. Qualquer outra coisa.

“Eu andei pesquisando um pouco sobre Harry Styles e One Direction esta tarde...” Hannah confessa como quem não quer nada e olha para o teto por alguns segundos, porque ela sabe que eu evito falar sobre Harry desde que ele me trouxe até nosso apartamento semana passada.

Estou ciente de que Hannah almeja muito me ver com outra pessoa e, agora que Harry apareceu, ela insiste que ele é a melhor opção para mim, mas eu geralmente finjo não estar ouvindo e ignoro sua insistência em demasia. Wally não me deixou boas lembranças. Embora Harry e Wally sejam pessoas totalmente diferentes, eu não quero arriscar, não quando o passado ainda faz morada forçada em meu presente.

“Você perdeu seu tempo, Hannah!” exclamo, escondendo um riso “No começo, eu me permiti fantasiar sobre isso por uns dias, mas Harry e eu não temos quase nada em comum e eu sei que não é isso o que eu realmente quero.”

“Você já ouviu falar que os opostos se atraem?” ela questiona como se fosse óbvio, enrugando seu nariz em desaprovação “E que pessoas tem vida fora do campus da universidade?” eleva seus ombros.

“Frases de efeito não surtem efeito comigo, se é isso que espera” retruco, colocando as mãos na cintura.

“Certo” concorda “A fama dele não é uma das melhores, devo admitir" eu sei disso como ninguém. Não consegui me conter nas vezes que procurei por Harry Styles no Google e uma abundância de notícias apareceram na tela de meu notebook. Algumas delas não foram tão agradáveis de serem lidas “Não te incentivaria a ter um caso sério com ele mesmo se você dependesse disso, mas eu te incentivaria a se divertir um pouco em Londres com ele” ela fala com a boca curvada em um sorriso torto “Nada melhor que um astro do pop para te mostrar os prazeres da vida” pisca um olho em minha direção.

“Eu tenho outras definições de diversão” respondo, forçando um sorriso. Hannah não sabe quando parar.

“Olha, Ceci! Eu peço desculpas se eu extrapolei qualquer limite, mas, por favor, pense um pouco sobre o assunto” implora, juntando as mãos na frente do corpo “Qualquer garota no mundo queria estar no seu lugar. Eu queria muito estar no seu lugar...” frisa o eu, usando um tom de voz mais alto..

“Hannah, eu não estou aqui porque eu queria realmente estar. Eu estou aqui por acaso. Harry pode ser algum tipo de deus grego quase intangível, mas a faculdade é mais importante para mim. Você, como ninguém, sabe a minha luta e o meu caminho percorrido. Não posso jogar tudo fora simplesmente para ficar com ele” explico. Não sei se o que eu estou falando é para me confortar, que tanto almejei o impossível ou para explicar Hannah “E eu gostaria muito de encerrar o assunto.”

Hannah assente cabisbaixa. Ela sabe que extrapolou limites com toda essa insistência. Querer e poder são coisas diferentes e eu quero deixar isso bem claro a ela. Eu quero muito ficar com Harry e ignorar todas as coisas que nos impedem, mas eu quero mais ainda me formar e seguir uma carreira como arquiteta com minha luta. Não quero que nada seja um empecilho e eu estou tão perto de finalizar tudo.

Wally conseguiu deixar tudo quebrado quando foi embora, mas eu acabei de me reerguer e estou lutando para construir minha carreira como arquiteta. Não posso deixar tudo pra lá e muito menos precisar de distrações.

No caminho silencioso até o carro de Matt, meu celular vibra, indicando uma mensagem nova e eu abro rapidamente ao ver o nome de Harry na tela. Eu me sinto patética ao perceber que meus lábios estão levemente curvados para o lado com um sorriso e meu coração começou a bater um pouco mais rápido, contradizendo tudo o que eu mentalizei durante a semana inteira.


"Boa noite, perdida!

Como está sua testa? Espero que esteja melhor."


"Boa noite, Roadie, ou melhor, Harry!

Está muito melhor que quando você me acidentou com a porta! Obrigada por se preocupar."


Harry e eu não trocamos mensagens desde o incidente, há uma semana atrás. Parte de mim implorou para me sentir aliviada nesse tempo, mas a parte insana de mim ficou decepcionada à medida que os dias passavam e não havia nem sinal de mensagem. Felizmente, o inchaço do galo diminuiu com o passar dos dias, mas ainda há uma pequena protuberância no lugar. A maquiagem e meu cabelo fizeram seu papel como ninguém e me ajudaram a cobri-la.

Matt buzina o carro para que a gente se apresse e eu começo a andar mais rápido junto a Hannah. Seus saltos não a atrapalham em nenhum momento e eu a invejo. Quando eu coloco saltos, tenho a impressão de que irei cair a qualquer momento e eu tento andar com passos lentos segurando em algo para me ajudar a equilibrar.

“Se houvesse algum prêmio para pessoas atrasadas, vocês duas, indubitavelmente, levariam” Matt declara e revira os olhos impaciente “Há muita bebida, mas com essa demora, elas provavelmente já estão no fim.”

“Você é o culpado de tudo isso” Hannah retruca “Fez o convite em cima da hora e ainda quer ter razão.”

Meu celular vibra mais uma vez, enquanto Hannah e Matt discutem sobre a festa e o nosso atraso interminável, mas as mensagens de Harry, no momento, tomam toda minha atenção, fazendo-me ficar alheia à conversa.


"Rá. Você é tãaao engraçada, Cecília! Mas fico feliz que o hematoma esteja sumindo. Porém, nada se compara com os olhos de panda. Você ficou adorável com eles, no entanto."


Bom saber que você se preocupa com minha aparência também. Nada melhor que mantê-la impecável, não é?


“Você sempre a mantém, independente de qualquer maquiagem! Mas, conte-me mais, Você está se divertindo com prédios históricos esta noite ou obrigaram você mais uma vez a ir a uma festa?”


Meu coração dispara algumas batidas rápidas e eu não sei como responder. Sinto meu rosto inteiro queimar e não tenho dúvidas de que minhas bochechas estão vermelhas, mesmo que ele não esteja aqui para presenciar minha reação ridícula. Eu não deveria reagir e nem me sentir assim; como uma adolescente no auge da puberdade.


“A última opção, embora queria muito estar te respondendo a primeira. E você, está se divertindo quebrando guitarras e tocando bateria ou está relaxando em sua banheira pomposa de espuma com um champanhe caro?”


“Cecília!” Hannah aumenta o tom de voz, quase gritando e só então eu percebo que ela e Matt estão saindo do carro “Sabemos sua aversão a festas, mas você pode, por favor, sair do carro?”

Estava tão alheia à conversa ao meu redor que não percebi que Matt tinha estacionado o carro. Coloco o celular na minha bolsa e saio rapidamente do carro, antes que Matt comece outro discurso sobre atraso. Depois do primeiro sermão, não fico com muita paciência para escutar o segundo.

Matt caminha à nossa frente, nos guiando para dentro da casa. Ele não mentiu quando disse que não teria muitas pessoas e eu fico mais aliviada ao constatar. Começo a relaxar mais e até penso na possibilidade de beber um copo ou dois.

Há algumas pessoas dispersas na escadaria em frente à casa e a música é muito alta, fazendo-me vibrar junto às ondas sonoras. Alguns copos de bebidas se encontram jogados no chão, mesmo com uma lata de lixo grande ao lado.

Passamos pela grande porta da casa e caminhamos até a mesa, onde estão os amigos do time de Matt. Reconheço que estão jogando beer pong quando encostamos à mesa. Matt cumprimenta todos eles com toques de mãos e gírias em demasia e eu me limito a acenos de cabeça e sorrisos tortos.


“Parece tentador, mas eu trocaria o champanhe por um uísque. No momento, estou sentado na gravadora, tomando esporro por beber demais no ensaio de ontem.”


“Por que será que isso não me surpreende nenhum pouco?"


“Você me coloca em uma posição desconfortável falando dessa forma.”


“Pelo menos eu não sou a única desconfortável hoje à noite.”


"Cecília?!” Ben, o amigo de Matt me cumprimenta com olhos franzidos para enxergar melhor, temendo ser um engano ou miragem “O que diabos você faz aqui?”

“Surpreso?” arqueio as sobrancelhas e ergo um sorriso a ele.

“Você não faz ideia do quanto eu estou surpreso” sorri abertamente, como se estivesse contente em me encontrar fora da universidade.

Ben é o único amigo de Matt que faz questão de conversar comigo e de ter minha atenção. Eu o considero o mais legal e engraçado entre todos os outros. Eles fazem questão de fingir que eu não existo, e bem... eu não faço questão de me aproximar. Apesar de não sermos tão próximos, Ben e eu trocamos algumas palavras às vezes nos corredores da universidade ou nas mesas da biblioteca.

“É raridade te ver fora do campus e da biblioteca” tenta se explicar, segurando um copo vermelho nas mãos.

“Se te serve de consolo, eu sempre estou no café da esquina da universidade” coloco as mãos na cintura.

“Deveria trocar café por álcool. Faz bem pra saúde” zomba, piscando um olho e eu não consigo segurar o sorriso que escapa.

“Eu prefiro mesmo meu café. Não há nada melhor que um café puro para iniciar um dia maçante” explico, mesmo sabendo que ele estava brincando “Você sabe, para suportar Emma, eu preciso de boas doses de café antes de enfrentá-la.”

“Não posso discordar” afirma sorrindo e escora seu corpo na mesa “Apesar da brincadeira, eu também amo um café puro de manhã cedo.”

Hannah aparece dançando à minha frente e me entrega um copo com alguma bebida vermelha e eu a agradeço. Começo a observar ao redor da sala e há várias pessoas chegando e eu sei que até mais tarde, a casa estará lotada. Ou seja, eu preciso me preparar para ir embora quando isso acontecer.

Bob me olha sugestivamente e surpreso quando vê o copo cheio de bebida nas minhas mãos, mas segundos depois recupera sua feição de indiferença para que eu não perceba.

“Por que está tão surpreso?” pergunto, dando um gole na bebida “Você me subestima demais, Bob!”

“Por que eu não estaria surpreso?” rebate “Sinceramente, nunca te vi em festas e eu geralmente estou em todas elas.”

“Eu nunca fui muito fã de festas. Aglomerações, no geral. Mas eu às vezes sou influenciada por Hanna e Matthew.”

“Isso explica muita coisa” sorri, exibindo a fileira de dentes brancos.

“Bob, é a sua vez” o loiro exclama e Bob se afasta, alegando que nos veremos mais tarde.

“Hummm…” Hannah geme em provocação “Então quer dizer que você e Bob…”

“Você é maluca!” reviro os olhos e ela sorri abertamente, me abraçando de forma apertada.

Considerando sua fala arrastada e sua forma de agir, Hannah está começando a ficar bêbada no início da festa.

“Desculpa” ele pede e me solta “Eu realmente não sei lidar com você.”

“Está tudo bem.”

Três copos depois eu me sinto um pouco zonza e acho que a bebida está fazendo efeito sobre mim. O que significa que já está na hora de ir para casa.


“Por que isso não me surpreende nenhum pouco?”


Harry responde em provocação, usando a mesma frase que eu há algumas horas atrás e eu não consigo segurar o sorriso, por mais que eu tenha me esforçado ao máximo.


“Copiar frases alheias não é uma resposta definitiva. Inclusive, estou quase indo embora. Está ficando muito cheio.”


“Você não me parece amante de aglomerações. O que é uma pena, porque eu tinha dois ingressos pra você na primeira fila do meu próximo show.”


“Está inventando pretextos para me ver, Harry? Você sabe, era pedir.”


“Você quer carona pra casa? Estou saindo da gravadora agora.”


“Não quero te incomodar. Estou quase a pedir um Uber.”


“Você sabe que não me incomoda. Além disso, eu consigo usar de pretexto para fugir de Simon agora.”


Penso bastante por alguns minutos e eu sei que o álcool está me fazendo reconsiderar a opção de encontrá-lo mais uma vez. Cecília sóbria nunca cogitaria a ideia, mas a Cecília parcialmente bêbada acha a ideia tão tentadora, que eu mal vejo quando passo a localização da festa.

Milésimos de segundos depois fico me perguntando o porquê de ter feito isso e o arrependimento me golpeia brutalmente. Enquanto espero sozinha em frente à casa, sinto meu corpo inteiro entrar em êxtase e estou tão nervosa que sinto meu corpo inteiro tremer em excitação. São sintomas que me lembram primeiros encontros e eu faço questão de mentalizar que isso não é um encontro.

De longe, vejo o carro luxuoso de Harry se aproximar e em poucos segundos ele estaciona em frente à casa. Lentamente, as janelas do carro descem e eu consigo admirar sua aparência impecável por alguns segundos, antes de entrar no carro.

“Sentiu minha falta, perdida?” Harry pergunta no momento em que eu fecho a porta do carro.

“Por que você acha que eu sentiria sua falta?” pergunto, deixando explícito o tom de escárnio em minha voz e no sorriso de canto.

“Porque eu sou teu astro do pop favorito” responde convicto e fecha as janelas do carro.

“Se há alguém mais convencido que você, eu desconheço” respondo “É um feitio seu ou de todos os astros do pop?” pergunto e ele balança a cabeça sorrindo.

Seus cabelos estão maiores e parecem mais macios desde a última vez que eu o encontrei. Há tatuagens cobrindo seus braços e se perdem nas mangas da sua camiseta preta. Seus lábios estão avermelhados e molhados como se ele tivesse acabado de passar a língua para umedecê-los.

Há olheiras pequenas abaixo dos seus olhos, como se não conseguisse dormir direito à noite e mesmo assim, ele continua com a aparência incrivelmente perfeita.

“O machucado está realmente menor desde a última vez que eu o vi” ele passa as mãos em seus cabelos, observando-me atentamente “Você cuidou bem dele?”

“Não tive muito tempo de sobra” respondo, mordendo o lábio inferior “É meu último semestre da faculdade e eu estou quase surtando com a quantidade de provas e trabalhos para fazer” suspiro sofregamente “Os estágios e as aulas estão consumindo meus dias.”

“Eu me lembro de você reclamar sobre isso na casa de Liam. Você está bem com tudo isso?” pergunta preocupado “Eu sei como é pesada a faculdade no último semestre. Gemma, minha irmã mais velha, formou em advocacia há alguns anos e ninguém suportava mais ouvir ela reclamar.”

“Sorte a dela ter concluído” afirmo com convicção “Não vejo a hora de pegar meu diploma e acabar com minha agonia.”

“Vamos esquecer assuntos relacionados a faculdade e sua vida social desastrosa hoje à noite” Harry propõe “Eu comprei alguns lanches e refrigerantes antes de sair. Você aceita?”

“Você estava lendo meus pensamentos” respondo e ele me entrega a sacola com os lanches.

“Você não é muito boa em esconder as coisas” sorri, começando a dirigir.

“Obrigada por me resgatar” agradeço, tirando um lanche da sacola “Hannah estava quase me jogando em cima de Bob. Eu tive que sair escondida pela porta dos fundos.”

O som do carro está ligado baixo com alguma música dos Beatles e o carro inteiro cheira a perfume caro e importado. Eu me pego inspirando profundamente, apenas para sentir um pouco mais e segundos depois me recrimino por estar me permitindo fazer essas coisas. Eu realmente não deveria.

“Tudo bem se eu passar em casa antes?” pergunta “Eu preciso deixar os lanches para Gemma.”

Assinto com a cabeça, passando minha mão pela barra do sobretudo. Nunca me senti tão nervosa como estou me sentindo agora e eu sinto como se tivesse perto de apresentar um trabalho muito importante.

Harry para o carro em frente ao enorme portão da sua casa quando eu estou prestes a acabar de comer o lanche. Ele aperta um botão em um controle em sua mão, fazendo o portão abrir retinindo o som pela entrada. Harry volta a dirigir por um caminho pouco arborizado até a entrada da sua casa.

“Puxa!” exclamo, admirando cada detalhe da arquitetura impecável da fachada da casa. Isso é realmente surreal “Eu posso pegar aquele vaso e fazer um leilão? Sinceramente, acho que todas as minhas dívidas estariam pagas” Harry me olha sorrindo.

“Fique à vontade” fala, saindo do carro e eu o acompanho.

“Sua mansão praticamente grita ‘pobre’ para mim em vinte línguas diferentes” falo, seguindo-o para dentro da casa.

“Você é a primeira pessoa a me deixar constrangido com minha conta bancária” ele fala e eu me apresso para me desculpar.

“Oh! Não era essa a minha intenção. Eu só estava brincando” respondo-o, sentindo-me culpada “Eu posso te fazer uma pergunta?" Harry balança a cabeça para cima e para baixo em resposta “Por que você está fazendo tudo isso? Tentando me manter por perto e fugindo ao mesmo tempo.”

“Você quer que eu seja sincero?” pergunta e eu afirmo veemente com a cabeça “Há muito tempo que eu não me sinto bem com a companhia de uma pessoa. Você ignora o fato da minha conta bancária ser opulenta e não demonstra qualquer interesse em ganhar fama em cima de mim.”

“Com exceção a Hannah e Mattew, ninguém nunca insistiu em minha amizade dessa forma” explico.

Ao me virar contra a fachada, me surpreendo. Em frente à casa há uma piscina enorme e iluminada, junto a uma escada que nos guia até a entrada da casa. Há vidro e iluminação por toda parte. Os enfeites efeito madeira me deixam perplexa e fascinada.

Harry volta a caminhar para dentro de sua casa e eu continuo andando atrás, memorizando e admirando cada detalhe possível. Ele abre a enorme porta de madeira e um cachorro enorme começa a latir e pular em seu corpo em busca de carinho e diversão.

"Boa noite, garotão!" Harry fala, passando as mãos nos pelos do cachorro "Diga olá para a visita" dá alguns passos para o lado para que o cachorro me veja.

Quando o cachorro percebe minha presença na sala, ele corre rapidamente em minha direção com a língua estirada para fora da boca e completamente eufórico. Não tenho tempo de correr ou me afastar, e quando eu percebo ele está pulando em cima de mim, derrubando-me no piso frio de porcelanato. O baque é alto e o som ecoa por toda a sala vazia. Eu sinto minhas bochechas corarem, enquanto tento afastar meu rosto das lambidas do cachorro. Céus, ele é tão grande!

"Acho que você já conheceu o Prince" gargalha e se agacha, começando a acariciar os pelos do cachorro novamente, tirando-o de cima de mim.

"Acho que o peso dele é maior que o meu" falo, sentando-me no chão ao lado do cachorro.

"Ele machucou você?" pergunta e eu nego com a cabeça.

"É o cachorro mais fofo que já conheci" apesar da aparência de um cachorro que pode te devorar com apenas uma mordida, ele é muito dócil.

Harry se levanta e me oferece uma de suas mãos, tentando me deixar em pé sem que eu me desequilibre. Suas mãos estão quentes e macias, embora pouco calejadas e eu sinto um arrepio correr pela minha espinha, como se fosse a primeira vez e eu o encaro atentamente.

Entramos juntos em sua cozinha imensa e ele deixa a sacola com alguns lanches para Gemma em cima da mesa. Seu cachorro nos segue a todo o momento, entrelaçando em nossas pernas como se estivesse muito feliz com a chegada de Harry e, pelo visto, a minha também.

A janela de vidro enorme à minha frente me dá uma vista incrível da cidade toda iluminada e me faz querer ficar por mais alguns minutos. Nos fundos há uma quadra imensa e iluminada.

“Gem?” ele grita, roubando minha atenção “O lanche está aqui.”


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